Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 17/08/2020
A ansiedade é definida como um sentimento de medo e apreensão, o qual interfere diretamente no desenvolvimento social do indivíduo. Para o filósofo Martin Heidegger, o medo convida o Homem a viver na impropriedade, quando faz com que ele deixe de atribuir sentido a sua própria existência, permitindo que outros o façam, alienando-se de si mesmo e vivendo com uma finalidade sem fim. Neste contexto, a prática do bullying na infância configura adultos marcados pela dor e pela angústia, e executa dentro deles uma relação desigual de poder físico ou psicológico, produzindo distúrbios de ansiedade. Além disso, o excesso de informações pelo uso demasiado da tecnologia também é um fator importante a ser analisado.
Inicialmente, deve-se atentar aos efeitos do bullying na saúde mental relacionados às violências física e verbal em ambiente escolar no intuito de prevenir transtornos psicológicos futuros. As vítimas geralmente não dispõem de recursos emocionais para cessar as agressões sozinhas. Segundo uma pesquisa da King’s College London, na Inglaterra, esses indivíduos perdem volume nas áreas cerebrais chamadas caudado e pûtamen, que contribuem para a ansiedade relacionada a falta de motivação, autoestima e atenção na juventude. E apesar de ser um tema abordado amplamente, existe uma carência de instrumentos específicos para identificar e cessar comportamentos agressivos nas escolas.
Outrossim, enquanto que na Antiguidade a ansiedade surgia de fatores como doenças e catástrofes naturais, no século XXI, ela é imposta pelo excessivo consumo de dados apresentados no ambiente virtual. Diante disso, o médico psiquiatra Luiz Vicente de Mello, da Universidade de São Paulo, conta que o excesso de elementos processados pelo cérebro leva a uma sobrecarga de conduções elétricas, e esta provoca o estresse cognitivo, causador de distúrbios mentais. Muitas vezes, as pessoas procuram entender sobre determinado assunto através das opiniões comentadas em redes sociais e jornais online, sem pausa e sem critério, de maneira superficial. Tal conduta provoca sérios riscos, como a diminuição do foco e uma inquietação maior do que a existente em gerações anteriores.
Destarte, compreende-se que a ansiedade na sociedade contemporânea pode diminuir se algumas medidas forem adotadas. Cabe ao Governo Federal aplicar programas de conscientização no ensino fundamental que associem a aplicação de técnicas por psicólogos para identificar comportamentos agressivos de crianças e aconselhamento aos pais de como contê-los através de reuniões mensais. O Ministério da Saúde deve promover campanhas sobre a importância do sono e da atividade física para diminuir a exaustão dos sistemas sensoriais e otimizar raciocínio e aprendizagem, ambos, a fim de gerar proteção mental, autoafirmação e sucesso acadêmico e no mercado de trabalho.