Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/06/2020
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou dados sobre o número de pessoas ansiosas existentes internacionalmente: cerca de 33% da população mundial sofre com o transtorno. Diante do pressuposto, é imprescindível a compreensão dos fatores agravantes desse problema na realidade hodierna, nesse caso, faz-se necessária atenção maior sobre como as redes sociais e o preconceito para com as pessoas que sofrem dessa doença podem interferir de forma negativa no tratamento desse distúrbio.
Primeiramente, é importante ressaltar que a síndrome da “vida perfeita” encontrada em muitas redes de interação pode demonstrar-se fator dificultante no combate a ansiedade. Segundo dados da pesquisa da Royal Society for Public Health, o compartilhamento de fotos pelo Instagram impacta negativamente o sono, a autoimagem e a aumenta o medo dos jovens de perder acontecimentos (FOMO, fear of missing out). Diante disso, é possível observar como as redes sociais podem ser não só nocivas para a saúde mental dos indivíduos, como também agravantes ou estopins para transtornos ansiosos, como mostra os números do Indicador de Confiança Digital (ICD), em que para 41% dos jovens brasileiros, as redes sociais causam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão.
Por conseguinte, é evidente que o preconceito para com pessoas ansiosas ainda é muito presente na sociedade atual, o que contribui diretamente para o aumento e agravo dos casos. De acordo com a psiquiatra e vice-presidente da Associação Psiquiátrica da Bahia, Sandra Peu, em uma entrevista para a Revista Brasil, ainda existe muito preconceito em relação a doenças psicológicas como depressão e ansiedade e, por isso, poucas pessoas procuram por ajuda profissional. Partindo do pressuposto, o medo do julgamento desencoraja a população a procurarem tratamento adequado para suas patologias, o que soma-se as dificuldades encontradas no combate ao distúrbio psicológico.
Nesse sentido, é mister que o Estado tome providências para uma possível resolução do problema. Para sensibilização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nos meios de comunicação que advirtam os internautas da utopia presente nas redes sociais e os prejuízos que a absorção desses cenários como reais podem trazer para a saúde mental dos mesmos, sugerindo aos usuários desenvolver um senso crítico para essas situações a fim de preservar a própria estabilidade psicológica. Só assim, será possível a construção de uma sociedade mais informada e saudável e, ademais, fortalecer o combate contra os transtornos ansiosos na atualidade.