Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/06/2020

A ansiedade não é frescura, loucura ou fraqueza.

“Loucura, frescura e fraqueza.” Esses são termos frequentemente associados às pessoas com transtornos mentais na sociedade brasileira. Esses tabus fazem com que as pessoas tenham vergonha em compartilhar seus sofrimentos. Assim, muitas vezes quando conseguem procurar ajuda especializada já estão com doenças psíquicas mais avançadas e complexas. Dessa maneira, as medidas no combate à ansiedade na sociedade devem se concentrar no combate ao preconceito, investimento em saúde mental e melhorias na qualidade de vida da população.

Dessa forma, segundo a OMS (Organização Mundial Da Saúde), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo, 9,3% de sua população. Portanto, investimentos devem ser feitos para que o preconceito contra quase um décimo da população diminua e a mesma se sinta segura em procurar assistência. Além disso, verbas para a ampliação do acesso à saúde mental também devem ser destinadas. Afinal, um cidadão deve encontrar o tratamento que precisa ao procurar o Sistema Único de Saúde (SUS).

É importante considerar, ainda, que segundo pesquisa da MindMiners, três quartos dos seus 550 entrevistados revelaram ser estressante viver no Brasil, especialmente por causa da violência, crise econômica, desemprego e má qualidade dos serviços públicos. Logo, melhorias no padrão de vida da população e ampliação dos direitos humanos e sociais pode impactar positivamente a saúde da nação. Nesse sentido, Nise da Silveira, psiquiatra brasileira, notou grande melhora em seus pacientes com mazelas de cunho mental ao utilizar a arte como parte do tratamento.

Em suma, o Ministério da Educação (MEC) deve incluir na base nacional curricular comum a discussão sobre saúde mental. Isso deve incluir palestras com profissionais da área nas escolas, debates, seminários e teatro. Com isso, através do poder esclarecedor do conhecimento, o assunto se tornará pauta entre as famílias e o preconceito com o mesmo diminuirá. Ademais, o Ministério da Saúde precisa ampliar o número de psicólogos e psiquiatras por unidade no SUS. Com a contratação desses funcionários a cobertura dos municípios será mais integral e possibilitará a execução de mais ações de educação popular com as comunidades e atendimentos. E, por fim, o Governo Federal necessita priorizar mais as regiões carentes de recursos para que ocorra mais investimento em segurança, transporte público, criação de empregos e espaços de lazer. Como consequência disso, o nível de estresse dos indivíduos diminuirá. Com isso, espera-se que com o passar dos anos desafios no combate à ansiedade sejam vencidos no Brasil.