Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 25/06/2020

Menos remédios, mais equilíbrio

O Brasil ostenta o triste título de país mais ansioso do mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 18,6 milhões de pessoas no país – o equivalente a 9,3% da população – convivem com o problema. Com o avanço da medicina nas últimas décadas, a abordagem medicamentosa tem se tornado a cada dia mais comum, especialmente a partir de 1990, com a popularização do remédio “Prozac”. Entretanto, a medicalização não parece ter contribuído para tornar a população menos ansiosa, em uma sociedade na qual a regra é parecer alegre o tempo todo.

Em primeiro plano, vale destacar a aparente “cultura da felicidade”, tão característica da sociedade contemporânea, que faz as pessoas acreditarem que devem estar sempre bem. Segundo essa lógica, sentimentos como ansiedade, tristeza e angústia são vistos como anomalias a serem combatidas. Exemplo disso é a imensa popularidade das redes sociais na internet, em que usuários compartilham momentos alegres exibindo largos sorrisos – e, em geral, escondendo as passagens não tão agradáveis de suas vidas.

Além disso, não se pode deixar de apontar a indústria farmacêutica como uma entidade capitalista, que tem o lucro, portanto, como seu objetivo final. Diante disso, empreendem-se uma série de práticas, que vão desde a publicidade até visitas de representantes comerciais a consultórios médicos, visando aumentar o consumo dos fármacos produzidos. Não por acaso, o atual Código de Ética Médica já proíbe determinadas práticas, como, por exemplo, a oferta de vantagens materiais em troca da prescrição de drogas.

Torna-se evidente, portanto, que é preciso conscientizar a sociedade em relação à saúde mental. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deveria promover uma campanha midiática estimulando a adesão a tratamentos de psicoterapia para controle da ansiedade. Isso seria possível por meio das redes sociais, de inserções televisivas e de cartazes fixados nas Unidades Básicas de Saúde, de forma a atingir diferentes segmentos populacionais. Assim, talvez, o Brasil se torne um país de pessoas menos medicadas e mais mentalmente equilibradas.