Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 28/06/2020
Dentre as muitas discussões que a pandemia ocasionada pelo novo coronavírus suscitou, está a relacionada às consequências do cenário pandêmico no que se refere à saúde mental. No Brasil, é evidente o impacto negativo causado pelo contexto em questão no estado psicológico dos brasileiros em geral, que, através de meios de comunicação de longo alcance como, por exemplo, redes sociais, expressam-se sobre o desequilíbrio que a pandemia desencadeou em seus estados mentais. Uma das complicações mais abordadas nesse contexto refere-se a um agravante do mal estar psicológico já presente no Brasil em níveis preocupantes: a ansiedade.
Primeiramente, é necessária a compreensão de que a ansiedade é inerente ao ser humano. Entretanto, quando esse sentimento se manifesta com frequência e potência capazes de impedir o indivíduo de realizar qualquer atividade e prendê-lo em surtos de preocupação extrema, trata-se realmente de um problema mental. E, infelizmente, tal problema faz-se muito presente na sociedade brasileira contemporânea. Conforme um levantamento realizado pela OMS em 2017, o Brasil era o país com índices mais elevados de transtornos de ansiedade, índices estes que, em discordância com outros países, continuaram a crescer ao longo dos anos e se agravaram com a inesperada pandemia.
Nesse viés, pode-se destacar diversos fatores que justificam a expansão da enfermidade mental em questão no Brasil. A pressão ocasionada pelas muitas crises econômicas e políticas que o país enfrenta tem efeito direto na saúde mental da população. As dificuldades no que concerne à busca por emprego, ao acesso a bens e serviços públicos e às constantes discussões sobre a situação política brasileira favorecem o acúmulo de preocupações que potencializa o desenvolvimento do transtorno de ansiedade e, em casos mais graves, da síndrome do pânico. E, quanto ao posicionamento de órgãos públicos da área de saúde, percebe-se uma ausência de medidas voltadas ao aspecto psicológico, o que, além de apresentar um empecilho a pessoas de baixa renda que necessitem de ajuda psicológica ou psiquiátrica, mostra a negligência governamental quanto a esse aspecto da saúde pública.
Portanto é essencial que, principalmente em tempos atípicos como o surto pandêmico contemporâneo, existam posicionamentos dos órgãos governamentais brasileiros quanto à saúde mental, com destaque para a ansiedade. A disponibilização de profissionais especializados em doenças psicológicas em centros de saúde públicos deve ser incentivada pelo Ministério da Saúde, a fim de atender às necessidades dos que não possuem condições de financiar consultas a psicólogos. Por fim, deve-se também incentivar a discussão ampla e responsável sobre os transtornos em questão, seja através de campanhas midiáticas, seja por discussões em centros educacionais do país.