Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 25/11/2020

Segundo a Organização Mundial da Saúde- OMS -, saúde é definida como um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades. No entanto, na sociedade contemporânea, as pessoas ignoram o cuidado com a mente, situação que dificulta o combate à ansiedade. Outros entraves no seu enfrentamento são o preconceito associado à essa doença e a fragilidade das relações na pós-modernidade, intensificada pelas mídias sociais, que ocasiona impactos na qualidade vida dos indivíduos.

A priori, de acordo com a OMS, o Brasil tem o maior número de indivíduos ansiosos do mundo, cerca de 19 milhões de brasileiros convivem com o problema. Esse transtorno tem como principal entrave no seu combate o preconceito na sociedade, que gera a desistência na procura de ajuda especializada pelo paciente e agrava ainda mais a situação. Ademais, há um tabu em relação ao uso de medicamentos psicotrópicos, devido a mitos difundidos na comunidade, por exemplo que são viciantes ou deixam as pessoas bobas e impotentes. Isso provém da falta de diálogo que a comunidade mantém sobre o tema que causa a marginalização dos doentes e, por conseguinte, contribui com a estigmatização das doenças psiquícas, as quais são vistas como sinal de fraqueza, incompetência ou frescura.

Outro fator que se constitui como um desafio no enfrentamento da ansiedade é a instabilidade das relações interpessoais na sociedade pós-moderna. “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”. Tal declaração do sociólogo Zygmunt Bauman ilustra o conceito de modernidade líquida, o qual está relacionado à uma nova época em que os relacionamentos são frágeis e maleáveis, o que gera incerteza nos indivíduos, por conseguinte os tornam seres angustiados. Nesse sentido, as redes sociais são utilizadas como forma de entretenimento para minimizar esses sentimentos. Porém, o seu uso desenfreado ocasiona quadros depressivos e de ansiedade em seus usuários, em consonância com o estudo britânico que apontou o Instagram como a pior rede para a saúde mental dos adolescentes.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para conter o avanço dessa problemática. Para tanto, o Governo, com o auxílio do Ministério da Saúde, necessita promover campanhas de conscientização, transmitidas em horário nobre e regularmente, sobre a gravidade dos distúrbios psíquicos, dessarte mitigar o preconceito e o estigma associado às vítimas, logo facilitar a procura por tratamento. Também, o estado deve promover ajuda a quem tem ansiedade, por meio das mídias sociais, disponibilizando psicólogos e terapeutas na página das Secretárias de Saúde, logo minimizar os sentimentos de angústia e solidão das pessoas.