Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 03/10/2020
O mundo hodierno, segundo Milton Santos, é definido como um meio técnico-científico-informacional, o qual possui um movimento caótico de informações e pessoas. Nesse viés, com um ambiente que exige pensamentos rápidos e apresenta uma pressão excessiva, seja pela coesão midiática ou social, a população está propensa a desenvolver distúrbios mentais relacionados ao contexto globalizado, entre os quais se destaca a ansiedade. Visto isso, com a falta do investimento estatal no combate a esse novo mal do século e com a pouca importância dada pela sociedade às enfermidades mentais, o estilo de vida mundial será marcado por preocupações exageradas.
A princípio, deve-se compreender o funcionamento da sociedade atual para obter conclusões acerca do aumento da ansiedade. Sobre isso, a contemporaneidade é caracterizada por imposições de padrões e produtos expostos como necessidade prioritária, o que é acompanhado de punições aos indivíduos que não seguem as regras, situação relacionada à coesão social ditada por Durkheim. Como consequência disso, a preocupação constante com a aceitação da comunidade, desde o status do emprego até a forma de se comunicar, acarreta um estado de alerta e estresse, presente nos sintomas da ansiedade.
Outrossim, além do modo de vida, produto do consumismo e da conectividade, muitos governos ainda não estão engajados na luta contra o aumento desse distúrbio. Isso é confirmado ao perceber que a discussão sobre enfermidades mentais é um tabu e grande parte da população não possui conhecimentos para perceber que precisa de uma ajuda médica, o que causa casos mais graves de ansiedade, os quais perpassam a depressão e até o suicídio. Ademais, a má administração estatal de outros setores acarreta mais ansiedade, relacionada à violência, às crises econômicas, à corrupção e aos serviços públicos de má qualidade.
Destarte, para garantir o bem-estar e impedir o avanço da ansiedade, mudar a estrutura social mundialmente consolidada é inviável a curto prazo, mas medidas para amenizar o número de casos podem ser aplicadas. Primeiramente, o governo deve prover informações sobre os perigos da ansiedade, seja por meio de propagandas midiáticas ou debates em escolas e universidades, com o fito de conscientizar e identificar os doentes precocemente. Além disso, o Estado e instituições particulares, como hospitais e colégios, poderiam promover sessões de meditação e yoga gratuitas, bem como grupos de conversa com psicólogos. Com isso, haverá um afastamento da vida conectada e estressante e serão viabilizados momentos de autorreflexão e calma, diminuindo a intensidade dos casos de ansiedade.