Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 02/08/2020

‘‘O homem é condenado a ser livre’’. Segundo Jean Paul Sartre, a vida e a liberdade individual fomentam tamanha importância que, de acordo com o seu pensamento existencialista, o essencial é viver da melhor forma possível na cidadania do corpo social. No entanto, no Brasil, a ansiedade na sociedade contemporânea desequilibra as condições sociais que estruturam a isonomia ao bem-estar, encontrando estímulos na normalização do comportamento humano e uma atuação secundária do Estado no progresso na saúde.

Precipuamente, Du Bois, um ativista político, implica as falhas na perspectiva de um progresso humano ao associar a carência de educação que, de acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), alveja 11% da população, e a automedicação para a normalização dos comportamentos humanos. Em outras palavras, a escassez de investimentos no setor educacional mascara e tolera o pensamento fundamentalmente orientado por medicações que fomentam diagnósticos e medicações, mas não examinam a mente humana. Analogamente, a lógica médica, ou seja, conceitos que passaram a frequentar diálogo nacional, realça a inquietação e distancia o indivíduo da sua atuação protagonista em sua saúde mental.

Por conseguinte, acerca do panorama supracitado, notamos reflexos do Estado atuando como uma Instituição Zumbi, segundo a obra ‘‘Sociedade líquida’’ do escritor Zygmunt Bauman. Em outras palavras, sua forma existe e se perpetua, mas sem padrões e redirecionamentos, perdendo a essência no contato com as virtudes naturais da sociedade e desconsiderando as instabilidades socioeconômicas como, por exemplo, a violência que inflama estresse no desenvolvimento da saúde nacional.

Portanto, é necessário que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira, urge que o MEC crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem a importância do exercício à isonomia do bem-estar, fundamentada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sob essa finalidade, o Ministério Público Federal, por meio de ações judiciais avaliadas com prioridade pelo Poder Judiciário, deve assegurar as condições de saúde e segurança, incentivando a psicologia e a terapia cognitivo-comportamental. A iniciativa do MPF teria a finalidade de promover a estima pelo conhecimento a respeito da ansiedade que afeta à sociedade contemporânea, ocorrendo a conquista de um país forte em bases democráticas.