Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/12/2020
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a epidemia de ansiedade no Brasil , dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o aumento do números de pessoas ansiosas. Nesse sentido, fatores tão presentes na cidades brasileiras como a violência, mobilidade urbana e desemprego afetam diretamente o agravamento de problemas psicológicos e psiquiátricos, mostrando a ineficiência do Estado nesse contexto. Essa conjuntura, segundo as idéias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o governo não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, o que infelizmente é o que acontece no país.
Ademais, é fundamental apontar o preconceito que muitas pessoas têm de procurar ajuda com profissionais capacitados. Assim, a frase do filósofo Immanuel Kant: “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”, expõe que o ensino adequado, desde cedo, sobre os problemas psicológicos e sobre a importância de acompanhamento é essencial para a mitigação dessa situação . Outrossim, a falta de espaços públicos para a pratica de atividade físicas e culturais como forma de lazer, é um fator que impacta negativamente na sociedade brasileira, que de acordo com os dados da OMS(Organização Mundial da Saúde), cerca de 25% de brasileiros convivem com o transtorno da ansiedade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, garanta o acesso e o atendimento para essas pessoas em clínicas e hospitais públicos, por meio da criação de espaços especializados e também da capacitação de profissionais de saúde, com finalidade de um tratamento mais eficiente. Paralelamente, é imperativo que os governos municipais invistam em espaços públicos, por meio da criação de centros esportivos e culturais, com finalidade de estimular o lazer e o exercício físico, que são relevantes no combate e no tratamento da ansiedade. Desse modo, se consolidará uma sociedade onde o estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.