Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/07/2020
O enaltecimento da performance e da alienação, presente na literatura distópica de Guy Debord, transcendeu dos versos para a realidade contemporânea dos brasileiros. Entretanto, tamanha valorização concebeu o enraizamento de um regime imediatista que, introjetado pela influência midiática e pela conduta governamental, induz ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade.
Em meio às normas do molde debordiano, é importante ressaltar que os indivíduos estão cada vez mais expostos a um intenso fluxo de informações e de tendências fornecidas pelas grandes mídias, que, consoantes à massificação cultural e ao advento das novas tecnologias, impõem modos de vida e de consumo à sociedade. Logo, tal fluidez informacional e performática compactua não somente com a espetacularização de Debord, mas, sobretudo, com as incertezas da sociedade baumaniana quanto à capacidade de adaptação aos padrões sociais, que se liquefazem e se renovam constantemente. Esse receio revela, então, o comprometimento do controle individual acerca da sua realidade e denuncia a consequente ascensão da ansiedade contemporânea.
Somado a isso, presencia-se um forte poder de influência do Estado na coletividade nacional: seu caráter passivo demonstra a predileção por uma massa controlada e adjacente aos seu interesses econômicos e políticos. Em “1984”, de George Orwell, algo semelhante acontece quando o governo totalitário retratado manipula, indiretamente, as relações de consumo e se abstém das consequências desse ato a fim de moldar a opinião pública para benefício próprio. Todavia, esse alinhamento do Governo aos moldes da indústria cultural desvia suas funções de cunho abarcativo e fomenta premissas para a perpetuação da ansiedade como epidemia no século XXI.
Compreende-se, portanto, que as diretrizes do estudo debordiano, aliada às concepções de Bauman, instauram no indivíduo a irreflexão quanto às conjunturas cotidianas e intensificam, a partir da postura do Estado, as projeções desse mal. Convém, dessa forma, a atuação incisiva do Governo Federal, aliado ao Ministério da Saúde, na elaboração de campanhas publicitárias que, por meio de financiamento público, advirtam a população no que tange ao consumo imediato de interfaces que preconizem a criticidade e a solidez do sujeito. À vista disso, será possível distanciar a sociedade do imagético baumaniano e, assim, atenuar os desafios do combate à ansiedade.