Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 01/08/2020
O filósofo Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à questão do combate à ansiedade na contemporaneidade. Nesse contexto, lidar com essa problemática mostra-se um verdadeiro desafio à saúde pública, seja em virtude do excesso de competição no mercado de trabalho, seja pela falta de empatia.
Em primeiro lugar, é substancial destacar que a demasiada disputa nos negócios é uma grande responsável pela complexidade do problema. De acordo com a lei de Moore, a capacidade dos chips dobram a cada dezoito meses e, consequentemente, estimula diretamente a concorrência entre empresas dos mais variados setores. Nesse sentido, atuar sob pressão emocional, prazos curtos e celeridade nos processos é a realidade do profissional moderno. Em decorrência disso, doenças como transtorno de ansiedade generalizada e síndrome de Burnout têm crescido de forma alarmante, dificultando a resolução do problema, como afirma a Organização Mundial da Saúde.
Faz-se mister, ainda, salientar que a incompreensão do outro, enquanto indivíduo, é uma barreira para atenuação dessas doenças. Conforme o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que o combate à ansiedade é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem num contexto social opressor, que descredibiliza a dor do outro por uma crença taxativa de vitimismo, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Logo, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de convívio com pessoas que sofrem de ansiedade. A partir dessas ações, espera-se promover uma melhora no que tange à questão da ansiedade na sociedade contemporânea.