Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 08/07/2020
O termo “ansiedade” se faz muito presente na contemporaneidade, e ele consiste, basicamente, em um estado emocional caracterizado por sentimentos de tensão, preocupação e pensamentos ruins. Acerca disso, o processo de globalização - que promove um grande fluxo de informações, tal qual uma instabilidade nas relações humanas - e a sociedade individualista - que estimula a competição entre os indivíduos - impulsionam esse estado, resultando em uma mazela. Portanto, é fundamental combater esses fatores para solucionar a problemática.
A priori, a globalização, que teve origem após a Segunda Guerra Mundial, fomenta a ansiedade de certa forma, haja visto que a criação da internet proporciona uma troca instantânea de informações. Nesse sentido, o filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, relata a fragilidade das relações humanas, em que a superficialidade dos relacionamentos começa a sobrepor a solidez das interações. Nesse contexto, as redes sociais favorecem a fragilidade desses vínculos e, por conseguinte, os sentimentos de tensão e estresse, visto que essas plataformas facilitam a troca de informações, bem como promovem a instabilidade das conexões pessoais. Desse modo, a modernidade líquida de Bauman influencia, de forma nociva, a sociedade contemporânea.
Outrossim, a sociedade individualista do século XXI é um grande fator que contribui para o avanço da patologia ansiedade na população brasileira. Nesse ínterim, o conceito de individualismo surgiu durante a França pós-revolucionária, significando a dissolução dos laços sociais e o abandono dos compromissos coletivos. Por conseguinte, a sociedade se torna extremamente competitiva, haja vista que o modo de produção vigente - capitalismo - estimula, ainda mais, essa disputa entre indivíduos. Dessa forma, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), aproximadamente 20 milhões de brasileiros sofrem com o transtorno, assim tornando o Brasil o país mais “ansioso” do mundo. Em suma, é evidente a importância de mitigar o pensamento individualista, com o propósito de desfavorecer o avanço da ansiedade na população.
Dessarte, é necessário que se tome providências para resolver o quadro atual. Assim, para conter o avanço do transtorno de ansiedade no país, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de leis orçamentárias, projetos e campanhas com o suporte de profissionais da área, psicólogos e psiquiatras, a fim de diminuir a influência negativa que o bombardeamento de informações, tal qual as redes sociais possuem na sociedade. Ademais, é mister que o Ministério da Educação crie palestras, bem como materiais didáticos direcionados às escolas e universidades, com o objetivo de desconstruir o pensamento individualista e, por consequência, amenizar a competitividade existente entre as pessoas.