Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 08/07/2020

“Nossos ancestrais eram esperançosos: quando falavam de ‘progresso’, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Nós estamos assustados: progresso para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração”, disse o filósofo Zygmunt Bauman ao ser questionado pela Revista ISTOÉ sobre o futuro no atual contexto de mudanças constantes que traz diversos desafios para a humanidade, principalmente, no que tange ao combate à ansiedade na sociedade contemporânea. No Brasil, os desafios para o combate em questão são de senso comum: o tabu da medicação e os estigmas acerca de transtornos mentais.

Segundo Bauman, o século XIX era caracterizado pela solidez em que as estruturas, as instituições sociais, os comportamentos eram rígidas. Em contraste com o atual século XXI, que é caracterizado pela liquidez, incertezas, rapidez, mudanças constantes e imprevisíveis, as quais se revelam as principais preocupações e medos excessivos presentes no Transtorno de Ansiedade. Isto posto, é inegável a influência da sociedade contemporânea no desenvolvimento da ansiedade na população.           Ademais, aglutinado ao atual cenário negativo, o estigma que permeia os transtornos mentais e o tabu do uso de medicação para tratá-los se constituem como desafios no combate à ansiedade. Tais quais, são resultados da comum e leiga associação de transtornos mentais à loucura e da visão que o uso de medicação é sinal de fraqueza e incompetência, preconceitos que, sem dúvida, decorrem da ausência de psicoeducação. De acordo com a psicóloga Tatiane Paula Souza, terapeuta sócio-cognitivo, as doenças psiquiátricas não são levadas a sério porque não são palpáveis como as demais enfermidades, além disso a falta de informação contribui para com os preconceitos supracitados e com isso o indivíduo se vê desmotivado a buscar tratamento.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para superar os desafios e melhorar o quadro atual. Para que haja erradicação dos estigmas e tabus acerca de transtornos mentais, urge que o Ministério da Saúde desenvolva um programa de psicoeducação sobre os transtornos mentais mais pertinentes na população brasileira, em parceria com as emissoras de canais abertos, por meio da criação de propagandas didáticas, de modo que alcance todas as faixas etárias da população com informações corretas acerca do tema, que incentive também a procura de um tratamento adequado pelos cidadãos, informando ao término como encontrar o Centro de Atenção Psicossocial da região. Nessa conjuntura, mitigar o medo da “constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração” da população.