Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 09/07/2020

Formalizado com a filosofia de Hobbes, em “O homem é o lobo do próprio homem”, os preceitos de que os seres deveriam manter algum nível de desconfiança e temor quando próximos de outrem, se instaurou nas raízes que moldaram as relações interpessoais durante todo o seu curso histórico,  sugerindo a necessidade de se manter alerta e não demonstrar fraquezas, para que inimigos não pudessem contestar a virilidade do ser. Contudo, com o avanço da filosofia e demais ciências, o mundo contemporâneo contesta tal impessoalidade, evidenciando o efeito que os antigos medos encobertos representam, manifestados por meio dos transtornos que comportam a ansiedade, e o posicionamento que alguns ainda mantém em relação a sua importância, o que determina, por exemplo, a forma que a antiga ideologia ainda se mantém, ocultas em cobranças e no estímulo à competitividade entre os jovens brasileiros, o que compromete suas visões sociais e desenvolvimento humano.

Desde a infância, as crianças são submetidas às escolas tradicionais, onde os objetivos centrais são a aprendizagem e o desenvolvimento interpessoal. Entretanto, durante o processo de incisão no ensino médio, os adolescentes deparam-se com a desvalorização do conteúdo lúdico, desenvolto artístico e físico, além de uma intensa valorização à matérias especificas, pautadas na ciência e na razão, perdendo suas essências de aprendizagem livre e multipolar. Além disso, são postos a intensa competição para que suas ambições possam ser alcançadas, através de provas que determinaram seus futuros, transformando cada colega em um oponente em potencial.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 9,3% da população brasileira possui transtornos de ansiedade, com destaque aos adolescentes entre 17 e 21 anos, momento em que, além dos grandes exames, também há a introdução a vida adulta. Tais índices agravam-se quando as ambições de futuro não partiram destes, mas de seus pais, que depositam expectativas que podem não corresponder  aos almejos de seus filhos. Crescem ouvindo objetivos e traçando metas,  sujeitos a temer expor suas fraquezas por medo da decepção de seus progenitores, o que, de acordo com o psicólogo clínico Bill Knaus se assemelha a “paredes de cada lado de uma trilha pintada com murais de arrependimentos”.

Em suma, proporcionar aos adolescentes alternativas de aprendizagem pautadas em seus próprios interesses, além de uma assistência voltada ao auxílio às famílias, objetivando amenizar as cobranças e imposições sobre o futuro de seus filhos, é a alternativa que, sendo de responsabilidade social e Estatal, evitará que o nível de ansiedade atual se ampie e condene as gerações futuras.