Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 02/11/2020
A ansiedade é um aspecto tão comum na contemporaneidade que, não raro, é erroneamente entendida como uma condição normal ou passageira da vida. No entanto, ela é uma doença mental séria e deve ser entendida como tal. Em especial, ela é um problema grave no Brasil, o país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Apesar disso, o problema pode ser contornado, desde que se discuta e se compreenda os efeitos das incertezas socias sob a população e o estado da saúde pública em relação ao problema.
Primeiramente, é preciso considerar os elevados índices da ansiedade brasileira como um dos desdobramentos da contínua instabilidade política, econômica e social que há décadas permeia o país. Nessa linha, é importante compreender que as sucessivas crises da história recente do Brasil, como a hiperinflação das décadas de 1980 e 1990 e as tentativas de impeachment dos presidentes Collor, Dilma e Temer, de uma forma ou de outra, atuaram de modo a tornar o futuro dos brasileiros incerto e imprevisível, isto é, elas passaram a fabricar um ambiente de medo e insegurança propício para o surgimento do transtorno. Por isso, a ansiedade deve também ser entendida como um reflexo da vida política do país, haja vista que ela é proporcional à fatores como o desemprego e a renda, por exemplo.
Além disso, há de se pontuar a dificuldade de acesso aos tratamentos contra a doença. Sabe-se que o controle clínico da ansiedade requer duas coisas: em primeiro lugar, a realização de consultas regulares com um médico psiquiatra e, em segundo, o uso contínuo da medicação apropriada. Contudo, é preciso ter em mente que a má qualidade dos serviços públicos de saúde, bem como os altos custos das consultas e medicamentos em redes privadas, são aspectos que dificultam ou até inviabilizam o alcance à este tipo de tratamento para a maior parte da população, a sétima mais desigual do mundo, como apontou o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Portanto, a resolução efetiva do problema esbarra, antes, no próprio desafio de ofertar saúde de qualidade a todos os cidadãos.
Logo, se se deseja combater efetivamente a ansiedade, é imprescindível ampliar a acessibilidade aos tratamentos contra esta doença. Sendo assim, é o dever do Ministério da Saúde criar, por meio dos recursos da União, um projeto que aproxime a população aos psiquiatras, o que poderá ser feito com visitas semanais destes profissionais em Unidades Básicas de Saúde, as quais estão presentes em todo o território nacional. Dessa forma, uma maior quantidade de pessoas terá acesso às formas de tratamento da doença e, consequentemente, haverá maior estabilidade emocional na sociedade brasileira.