Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 12/07/2020
Para o escritor sul-coreano, Byung-Chul-Han, as patologias neurais definem o século XXI. A partir da relevante e problemática definição de Byung, é correto afirmar que a ansiedade, como patologia neural, é reflexo da inalcançável busca pela felicidade que, hodiernamente, está ligada a um desejo colonizado do arquétipo e singular modo de atingir o sumo bem. Nesse sentido, é urgente que tal doença tenha o devido olhar crítico de enfrentamento, já que a ansiedade pode desencadear desencantamento de mundo provocado pela frustração em não atingir o universo fictício da felicidade.
Em primeiro lugar, convém analisar uma das causas que levam o indivíduo a quadros de enfermidade mental. De acordo com o pensador francês, Guy Debord, as relações interpessoais contemporâneas estão baseadas em um grande espetáculo, no qual a plateia, passivamente, é acometida por um mundo imagético considerado como “perfeito”, visto que o agente ativo do espetáculo - aquele que compartilha nuances da sua vida privada- mostra, essencialmente, situações agradáveis juntamente com trechos que auxiliam que o público-alvo encare as adversidades da vida sempre de maneira positiva. Assim, os acometidos pelo pictorialístico e falso mundo tendem a traçar metas de curto e longo prazo, com vistas a atingir o pleno bem-estar que, aparentemente, o agente ativo da exibição já alcançou. Torna-se claro, que a busca incessante pela fórmula mágica da felicidade corrobora a formação de um “eu” alienado e frustrado pelo não entendimento da inexistência de tal fórmula.
Em segundo lugar, é preciso compreender as consequências ocasionadas pela causa supracitada e por diversas outras que se somam a ela. Segundo uma pesquisa realizada no ano de 2013 pelo IBOPE, 98% dos brasileiros se sentem cansados mentalmente e, a maior fatia dos exaustos, está entre jovens de 20 a 29 anos. Com esse dado, se torna evidente o nível catastrófico deixado na vida dos jovens brasileiros, no qual é agravado pelo inicial desejo de determinada coisa que, ao ser levado a esfera virtual, é personificado em felicidade e propagado a inúmeros jovens que estão buscando regras práticas -inexistentes- para atingir o sumo bem. Sendo assim, desejos inicialmente individuais são coletivizados contribuindo para a existência da patologia abordada: a ansiedade.
Logo, medidas devem ser tomadas para mitigar a problemática. Sendo assim, o governo, aliado a profissionais da saúde emocional - psicólogos e psiquiatras -, deve promover rodas de conversas nas escolas e universidades, por meio de projetos realizados pelos profissionais citados, a fim de construir um profundo entendimento sobre a dinâmica da vida na esfera virtual, bem como atender jovens frequentemente, visto que eles estão mais propensos à alienação causada pelo falso mundo imagético digital. Assim sendo,os jovens tendem a ver o mundo de forma crítica e encantada concomitantemente.