Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 08/08/2020

Em sua obra “A sociedade do cansaço”, o filósofo Sul-Coreano Byung-Chul Han defende como a positividade excessiva e a pressão social podem comprometer a saúde mental do indivíduo. Analogamente, é possível perceber essa instabilidade emocional no contexto atual, em que grande parte da população desenvolve transtornos de ansiedade e não recebe tratamento adequado. Uma vez que a falta de atendimento psicológico acessível e a banalização de doenças psicossomáticas interferem no combate à ansiedade.

Inicialmente, é preciso considerar como a precariedade do atendimento psicológico gratuito afeta diretamente pessoas que não podem pagar por esse serviço. Logo, o indivíduo torna-se dependente de um serviço público insuficiente para atender a demanda. Essa situação pode ser observada na produção cinematográfica “Coringa”, em que o protagonista, que sofre de um distúrbio psicológico, enfrenta uma série de surtos após perder seu tratamento financiado pelo governo. Evidenciando a importância do acompanhamento psicólogo público e abrangente.

Ademais, do ponto de vista social, é preciso ater-se ao fato de que boa parte da sociedade não considera problemas psicológicos menos severos como doenças, chegando a culpar o indivíduo por não estar se sentindo bem. Prova dessa falta de empatia pode ser analisada no conceito de “modernidade líquida”, apresentado pelo sociólogo Zygmut Bauman, que define as relações sociais contemporâneas como efêmeras e instáveis. Logo, o indivíduo que não consegue apoio em seu âmbito social, passa a acreditar que suas crises ansiosas não são motivo de muita atenção.

É Inegável, portanto, que a democratização do acompanhamento psicológico é o caminho para combater a ansiedade no cenário atual. Cabe ao Ministério da Saúde oferecer uma ampla disponibilidade de tratamentos públicos para a saúde mental. Isso pode ser feito através de programas de atendimento psicológico familiar, adaptados a faixa etária de cada membro da família. Com o intuito de auxiliar no combate à ansiedade e estimular uma cultura de cuidado com a saúde emocional. E, assim, a população será capaz de manter a estabilidade emocional em uma sociedade que impõem uma grande pressão, como relatado em “A sociedade do cansaço.”