Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 13/07/2020
A ansiedade é descrita como um estado desconfortável de agitação interior, muitas vezes ocasionada por estresse intenso e desgaste psicológico. No livro A Redoma de Vidro, Sylvia Plath, traz a vida de uma jovem que se divide entre os estudos e o trabalho em uma rotina exaustiva, e com isso acaba sendo levada para uma clínica psiquiátrica. Fora do universo ficcional, a sociedade contemporânea vive um dilema semelhante ao da obra, isto é, em um cenário de constantes mudanças onde a população busca viver cada vez mais rápido, a ansiedade e o desgaste emocional acabam se tornando algo banal.
Certamente a globalização tornou as relações humanas mais dinâmicas, entretanto, essa dinamização fez com que a sociedade se tornasse individualista, onde o rápido processo de urbanização pós revolução industrial trouxe uma falta de solidariedade, ainda que a população esteja voltada ao fator comum que é a economia, assim, gerando o estado de anomia social, defendido por Émile Durkheim, ainda no século XIX. Não somente, esse crescimento vertiginoso trouxe também um aumento no nível de estresse da população, que como defende Giovanni Abrahão, professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, faz com que a ansiedade seja o grande mal do século XXI.
Por outro lado, essa banalização da ansiedade acaba fazendo com que a população deixe de buscar por um tratamento, seja recusando apoio psicológico ou mesmo se automedicando, o que por consequência, torna o processo de identificação e combate a doença ainda mais trabalhoso. Ainda hoje, não é raro casos de pacientes que se recusam a receber ajuda psicológica devido ao preconceito com tratamentos psiquiátricos ou por negação à doença. Em contrapartida, de acordo com pesquisas realizadas pelo ICTQ, Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade, mais de 76% das pessoas que faziam uso de algum tipo de medicamento para o tratamento da doença, o realizavam sem prescrição médica.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde desenvolver campanhas para a conscientização sobre os sintomas e as formas de prevenção à ansiedade, assim como incentivar a população à buscar por ajuda psicológica através de centros de atendimento gratuito. A fim de alertar a sociedade e desmistificar a ideia de que a ansiedade seja algo trivial.