Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 15/07/2020

A ansiedade é um mecanismo fisiológico benéfico para sobrevivência na sociedade, porém torna-se patológica quando começa a intervir na vida do individuo impedindo a realização das atividades diárias. Sua forma patológica tornou-se  um dos principais males da contemporaneidade em diversos países, com destaque para o Brasil que ocupa o primeiro lugar no ranking entre os países mais ansiosos do mundo. Assim, é importante analisar quais os principais entraves no combate a ansiedade atualmente.

É notório pontuar a influência dos estigmas preconceituosos em relação a ansiedade e não adesão ao tratamento correto. Isso ocorre porque, apesar de se existir um leque de tratamentos em relação a ansiedade, na sociedade ainda prevalece as ideias das mentes dos moradores da caverna de Platão,  ou seja, a maioria das pessoas ainda reproduzem o senso comum de negação, em relação ao tratamento e a  própria doença. Dentre tantos pensamentos comuns errôneos, o mito de que medicalização gera dependência vitalícia  aliado a ideia de  que a terapia é apenas uma conversa banal ou “coisa de doente mental”, são os principais responsáveis pela não adesão ao tratamento  psiquiátrico e   psicológico. Esse fato é exposto em diversos filmes e séries, dentre tantos a série da netflix “Eu nunca” aborda o preconceito da personagem em relação a adesão da terapia.

Em outra perspectiva, é importante caracterizar o estilo de vida como outro fator que impede o combate eficaz a ansiedade. Esse fato ocorre, devido ao ritmo de vida atual pautado no imediatismo, excelência e destaque em todas as áreas da vida sem o direito a uma pausa efetiva. Ou seja, mesmo em dias de ócio o ser humano ainda permanece conectado através das redes sociais e se exige máximo destaque a fim de provar o quão é  bem sucedido. Tal fato, pode ser entendido a partir do conceito de “auto- exploração” de Byung-chul Han, que em seu livro sociedade do cansaço  mostrar o quão o homem em busca  de uma falsa realização e aceitação social, sacrifica-se a si mesmo. Esse excesso de tarefas em busca de um sucesso gera uma sociedade doentia e ansiosa.

Fica claro, portanto, a influência do estilo de vida e a da esteriotipação do  tratamento da ansiedade como um dos eixos responsáveis pela ansiedade. Assim, é importante através das mídias socias gerar campanhas com o objetivo de mitigar o preconceito em relação a doença e ao tratamento da ansiedade. Isso pode ser feito através, da união do ministério da saúde com as principais emissoras, para que em horários nobres ocorre a transmissão de propagandas lúdicas e criativas, a fim de mostrar o quanto o tratamento da ansiedade melhora a qualidade de vida. Aliado a isso, é importante  que desde o ensino fundamenta até o ensino médio, nas escolas seja disponibilizado acompanhamento psicológico e educação emocional, com o objetivo de conscientizar sobre o estilo de vida saudável.