Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/07/2020
Iniciada na segunda metade do século XX, a chamada “Revolução técnico-científico-informacional” trouxe o advento da tecnologia e informação como pauta majoritária. No entanto, apesar das inúmeras facilidades que o meio cibernético proporcionou, no que tange ao excesso informativo e exposição em redes sociais, tal ferramenta potencializou as condições ansiosas na contemporaneidade. Sob essa perspectiva, é válido averiguar como a negligência do Poder Público e indiferença populacional interfere diretamente no imbróglio.
Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática.Segundo o filósofo Michel Foucault, existe uma série de micropoderes os quais são exercidos cotidianamente e influenciam na construção social. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto ao investimento em cuidados para saúde mental. Assim, sem que haja atuação governamental para suprir as determinações da Carta Magna, os brasileiros continuarão sem o acesso e tratamento adequado para combater a ansiedade.
Ademais, é indispensável salientar a passividade da população como catalisador do empecilho. De acordo com a crítica envolvida no livro de José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”, estar e ser cego para valores básicos de ética e solidariedade é a condição natural do ser humano contemporâneo. Nesse sentido, depreende-se a percepção deturpada da sociedade civil no que diz respeito ao uso de medicamentos como ação profilática para pessoas ansiosas. Dessa forma, é construído um senso comum da coletividade alicerçado no tabu dos transtornos mentais.
Portanto, indubitavelmente, é preciso que os desafios no combate à ansiedade na hodiernidade sejam erradicados do Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, como viabilizador do ensino, atuar em prol da nação em escolas e universidades, por intermédio de uma reforma curricular na qual práticas de meditação e terapia sejam incluídas. Tudo isso deve ocorrer com o fito de ensinar, desde cedo, às crianças e jovens a importância da inteligência emocional. Dessa maneira, ter-se-á um país saudável e verdadeiramente beneficiado pelos adventos da Revolução técnico-científico-informacional.