Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/07/2020

A Telenovela “O tempo não para”, da TV Globo, retratou a situação de pessoas que vieram do passado para viver no Brasil atual. Todavia, os personagens impressionavam-se com a correria e o consumismo das pessoas de hoje. Fora da ficção, esse ritmo de vida e consumo, somados à rapidez dos meios de comunicação, contribuem para o problema da ansiedade humana, grave questão contemporânea.

É fato que a sociedade possui uma relação patológica com o consumo. Segundo o pensador Zygmunt Bauman, o “ter” e o “comprar” tomam grande parcela das relações das pessoas, o que acarreta na pressão social para que todos sejam sempre bem-sucedidos, e que tenham bens e feitos que sirvam como medida do seu sucesso pessoal e profissional. Entretanto, essa cobrança social faz com que cada um busque sempre a melhor performance, e tenha a constante preocupação em fazer sempre mais coisas. Como resultado, essa “correria” gera um desgaste físico e persistente temor quanto ao futuro, gerando sentimentos de ansiedade.

Além disso, é imperativo ressaltar a rapidez dos meios de comunicação como promotor do problema. Nesse viés, tal problema existe porque a agilidade e amplitude de recepção das informações resulta na sensação particular de que sempre há problemas na política, economia, saúde, e outras áreas. De acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um ser político e social, o que evidencia que o ser humano tem a necessidade de saber o que acontece à sua volta. Por outro lado, a maioria das pessoas não conseguem filtrar tantas informações, que chegam a todo instante, o que produz as reações físicas de ansiedade.

Portanto, é necessário que o problema da ansiedade seja enfrentado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação a ação de fornecer diretrizes para que as escolas, públicas e privadas, por meio de discussões nas aulas de filosofia e sociologia, instruam os alunos quanto ao problema do consumismo, com a finalidade de prevenir os alunos de se engajarem em comportamentos que gerarão ansiedade por pressão social. Outrossim, o Governo Federal, em parceria com a mídia, mediante campanhas publicitárias, deve conscientizar o público geral sobre a necessidade do cuidado com a saúde mental frente às notícias do cotidiano. Assim, a ansiedade com o mundo e o tempo que nunca param, afetarão menos os brasileiros.