Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 23/07/2020

Na França do século XVIII e XIX, viveu-se a “Era dos Mendigos”, marcada pela escassez de alimentos, corrupção e pobreza. Analogamente a esse tempo histórico, na contemporaneidade, vive-se uma “Era dos Mendigos Emocionais”, essa caracterizada pela escassez de sentimentos, corrupção interna e pobreza intelectual, problemas que favorecem o desenvolvimento da ansiedade. Diante disso, é imprescindível avaliar os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea, que se relacionam com a falta de uma educação conscientizadora e com o sistema econômico vigente.

É importante analisar, de início, a falta de uma educação conscientizadora como um dos maiores desafios no combate à ansiedade atualmente. Isso porque, embora a educação devesse conscientizar o aluno quanto à importância do autoconhecimento, tornando-o apto para lidar com a frustração e o erro ao gerir seus sentimentos, o que ocorre, de fato, segundo o pedagogo Paulo Freire, é a bancariedade do sistema educacional. Essa bancariedade é notada no único propósito da educação atual: depositar informações desconexas no aluno. Tal objetivo prejudica desenvolvimento cognitivo e social pleno do indivíduo, o que resulta na instabilidade emocional, bem como na supressão da subjetividade. Assim, os alunos perpetuam o pensamento de desvalorização de profissionais da área de saúde mental, negligenciando-os, fato que contribue para estereotipação de doenças da mente como ansiedade.

Além da ausência de uma educação conscientizadora, o combate à ansiedade ainda enfrata desafios relativos ao sistema capitalista vigente. Nesse caso, o imediatismo e a busca pela máxima performance, características intrínsecas ao sistema, favorecem a concretização de uma “Sociedade da Performance”, de acordo com o filósofo coreano Chul Han. Esse tipo de sociedade, na qual o fator tempo é escasso, a robotização do corpo pela imposição de um cotidiano massacrante e repetitivo proporciona o ambiente propício para o desenvolvimento da ansiedade. Tal doença, vista socialmente como irrelevante, é construída com base em estereótipos, desconhecimento, automedicação e medo. Desse modo, dores de cabeça e musculares, sintomas da ansiedade, tornam-se constantes na população, edificando a doença como mal do século.

Portanto, é evidente que o combate à ansiedade enfrenta desafios na sua concretização. Sendo assim, o Ministério da Educação deve atuar, em parcerias com as escolas, na implementação de uma educação conscientizadora. Essa educação promove o autoconhecimento e desconstrói estereótipos em relação à ansiedade. Para tal, cabe um maior redirecionamento do PIB para a educação, visando à ampliação, nos alunos, da noção de crescimento pela necessidade. Dessa forma, contrapõe-se às ideias da “Sociedade da Performace” e à “Era dos Mendigos Emocionais” vivenciada atualmente.