Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
O principal filósofo do Período Antropológico, Sócrates, já dizia “Conhece-te a ti mesmo”. Contemporaneamente, é fácil ver uma das aplicações dessa célebre frase, visto que os indivíduos cobram demais de si mesmos e tem altas expectativas em relação às suas capacidades e limites. Devido a não somente isso, mas também aos tabus sociais, o número de pessoas com distúrbios de ansiedade cresce e dificulta a rotina e interação entre os brasileiros. Dessa forma, facilmente é possível identificar que as cobranças e expectativas que atordoam e pressionam as pessoas, assim como a desinformação da população acerca desse distúrbio, são desafios ao lidar com essa problemática.
Em primeira análise, é válido lembrar que os brasileiros, segundo a OMS, são os cidadãos que mais sofrem com problemas de ansiedade, sendo que quase 10% da população, convivem com esse distúrbio. Essa estatística está diretamente relacionada aos vários problemas sociais, como corrupção, instabilidade política e violência urbana. Mas, além disso, vale ressaltar que os índices de suicídio e depressão também estão crescendo, o que esclarece que o povo tem muitos problemas internos e insatisfações consigo mesmo, principalmente, por terem expectativas altas ao desempenharem funções no trabalho, como cidadãos e nas variadas instituições sociais. Logo,é inequívoco que as pessoas precisam conhecer seus limites e capacidades, como Sócrates propôs.
Outrossim, transtornos psicológicos ainda são um grande tabu para a maioria dos brasileiros e há muito preconceito com quem tem problemas desse gênero. Essa realidade foi inserida no livro “O lado bom da vida”, de Mattew Quick, em que os dois personagens principais, Patty e Tiffany, sofrem de problemas psicológicos e são tratados hostilmente por alguns outros personagens,mesmo que consigam viver normalmente se medicados de acordo com a necessidade. Analogamente, muitas pessoas declinam o uso de medicamentos por temerem a exclusão, pois grande parte do povo ainda vê,erroneamente, o uso de medicamentos para transtornos psicológicos como um sinal de insanidade do indivíduo. Sendo assim, fica claro que a forma com a qual as pessoas enxergam esse problema é um grande obstáculo quando ele aparece e precisa ser tratado.
É imprescindível, portanto, que haja uma mudança de comportamento tanto por parte do governo quanto da sociedade em busca da solução desses desafios. É necessário que o Governo, a partir do Ministério da Educação e das prefeituras atue nas escolas e universidades promovendo palestras e grupos de ajuda para que as crianças e jovens não cobrem de si mais do que conseguem fazer, e, no futuro, seja possível ter um menor índice de ansiosos. Além disso, a população deve ser conscientizada acerca dessa problemática a fim de extinguir os tabus a partir da mídia, pois esta informaria o povo.