Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 18/07/2020
No filme “De Repente 30”, a personagem principal, Jenna, apresenta padrões comportamentais de ansiedade ao desejar ter 30 anos, idade em que acredita conseguir se encaixar nos padrões sociais e ser incluída no círculo de amizades. Fora dos tablados da ficção, na qual, como passe de mágica, Jenna acorda no dia seguinte com a idade desejada, a sociedade brasileira têm sofrido desse transtorno - já que não se pode conseguir tudo o que quer na hora em que deseja -, devido a uma imposição social de padrões que têm afetado a população, bem como a disseminação dessa realidade através da internet, o que gera consequências necessárias para a reflexão.
A princípio, diferente do que se acredita, a ansiedade não é um transtorno recente e, através dela, podem ser gerados problemas mais graves, como a depressão. Prova disso, tem-se o caso do artista Van Gogh, que teve crises de ansiedade e depressão e, alguns de seus quadros eram repletos de tristeza e de angústia. Além disso, de acordo com a OMS, o Brasil é o país com maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade e o quinto em casos de depressão. isso é reflexo de uma sociedade marcada pela imposição de padrões, sejam eles estéticos, comportamentais e de inteligência, tornando-se, então, decisivos para alimentar esse transtorno.
Outrossim, a psicanalista brasileira Maria Rita Kelh, afirma em seus estudos que a urgência da produtividade em relação ao tempo é um dos motivos para a ocorrência de crises de ansiedade e depressão no país. Isso é intensificado por meio da ascensão da internet na contemporaneidade, na qual tudo é feito de forma instantânea e isso influencia a sociedade a ser desse jeito e querer tudo “para ontem”. Ademais, a imposição da “vida perfeita” na internet tem gerado cada vez mais quadros depressivos e ansiosos, pois, o fato de querer viver da mesma forma tem feito com que pessoas trabalhem mais para conseguir ter o mesmo e fiquem insatisfeitos com a própria vida.
Torna-se evidente, portanto, que é dever do Estado, em parceria com o Ministério da Saúde investir mensalmente em profissionais especializados no assunto, como psicólogos e neurologistas, ao introduzi-los em escolas, faculdades e empresas públicas, de modo a garantir atendimento acessível a pessoas que necessitem, principalmente a quem não tem como pagar pelo atendimento, pois as crises de ansiedade podem acometer qualquer um e essa prática serviria como forma de apoio. Além disso, as Mídias Sociais, por meio de propagandas na televisão e também pelas redes sociais, devem encorajar as pessoas a procurarem ajuda, desmistificando os tabus acerca do assunto, para que os quadros de ansiedade sejam diminuidos. Dessa forma, chegar-se-á em uma realidade diferente no Brasil, ao tratar das causas e consequências da ansiedade para a população.