Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/07/2020

‘‘Estou sobrecarregado e inseguro. Preciso tomar algo para acalmar minha mente. Me ajude.’’ relata o cantor Shawn Mendes em sua música ‘‘In my blood’’. Essa canção denuncia e retrata uma dura realidade encarada por muitas pessoas e que, embora seja uma condição recorrente na sociedade, há um tabu a respeito da ansiedade. Sob essa perspectiva, é imprescindível analisar que a existência de um estigma em torno de doenças emocionais e a pressão a que diversos trabalhadores estão submetidos são os principais entraves encarados no combate a esse transtorno.

É fundamental compreender, em primeira análise, que a ansiedade é alvo de um preconceito devido a uma desinformação social sobre tal tópico. Isso porque há uma ideia, baseada no senso comum da população, de que apresentar debilidades emocionais é um indicativo de fragilidade e que não há necessidade de qualquer tratamento. Essa realidade é tão antiga que já foi denunciada em obras ultrarromânticas do século XVIII, nas quais os poetas relatavam que eram julgados por suas aflições e não havia quem os ajudasse. Entretanto, é necessário que haja uma quebra nesse paradigma, pois a existência de tais transtornos pode desencadear em patologias como depressão e burnout. Desse modo, o acompanhamento de profissionais de saúde, desde os primeiros sintomas, é indispensável.

Ademais, é evidente que, após a Revolução Industrial, o ser humano, como forma de compensar o uso das máquinas, foi subordinado a extensas e hostis jornadas de trabalho, as quais o submeteu a uma organização coercitiva nos espaços trabalhistas. Em vista disso, ao tomar como base o pensamento de Byung–Chul Han, percebe–se que as instituições políticas e empresariais exercem sobre os indivíduos uma violência neuronal, ou seja, as pessoas se tornam carrascas de seu desempenho profissional, em detrimento da saúde mental e do autoconhecimento. Por conseguinte, os índices de ansiedade, síndromes e doenças neurológicas aumentaram exponencialmente na última década, revelando, dessa maneira, que os ambientes de trabalho que não possuem a preocupação com o bem–estar psicológico dos funcionários corroboram para a desumanização do processo laboral.

Diante de tal flagelo, nota–se que o combate à ansiedade ainda apresenta empecilhos e, diante disso, é preciso buscar caminhos para reverter essa situação. Portanto, a fim de que esses desafios sejam mitigados, é necessário que o Ministério da Economia, que assumiu atribuições do Ministério do Trabalho, e o Ministério da Saúde, devem criar um projeto que, além de fornecer um auxílio médico–psicológico aos trabalhadores, deve divulgar, por meio dos meios midiáticos e das redes sociais, campanhas com orientações tais como lugares que fornecem esse auxílio e os sintomas mais comuns, criando, dessa forma, ambientes corporativos seguros psicologicamente.