Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/07/2020

Em conformidade com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o líder no número de pessoas com ansiedade do mundo. Tal fato reflete a influência do modo de vida contemporâneo na saúde mental das pessoas. No entanto, ainda existem muitos obstáculos para o combate à doença, entre eles está o preconceito da população e o imediatismo no qual a sociedade vive.

Primeiramente, é notório o preconceito que ainda rodeia as doenças mentais. A população, a qual muitas vezes não têm nenhuma informação sobre o assunto, invalida e ignora os transtornos psicológicos. Dessa maneira, quando uma pessoa sofre com algum deles, como a ansiedade, há uma demora grande até que o problema seja admitido e tratado. De acordo com Ana Carolina Lemos, doutora em psicologia, o preconceito atrapalha a busca por tratamento também pela falta de informação. Ou seja, quando não debatidas, as doenças têm um lugar propício para se desenvolver e ainda mais dificuldade para serem combatidas. Isso porque, com a falta do conhecimento, as pessoas acham que ao procurar ajuda e admitirem estar ansiosas elas estão também afirmando que não “dão conta”, assim, precisarão de um especialista para falar sobre tal transtorno.

Outrossim, além do preconceito da sociedade com as doenças mentais, o imediatismo no qual a sociedade contemporânea vive é um gatilho constante para o desenvolvimento do transtorno de ansiedade. Isso por que os resultados precisam ser “para ontem”, além de haver uma cobrança de se estar sempre produtivo. Segundo um artigo publicado pelo Sinjus.org, vivemos em uma sociedade que está sempre com a mente agitada e estressada, essa agilidade contribui para desenvolvermos o quadro de ansiedade. Ou seja, o ritmo imediato cobrado das pessoas prejudica a saúde mental da população, a qual adoece cada vez mais.

Logo, para que o combate à ansiedade na sociedade contemporânea seja efetivo, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com emissoras televisivas e jornais, conscientizem a população em relação aos transtornos mentais, a partir de rodas de conversas e debates abertos ao público online com especialistas (psicólogos e psiquiatras), a fim de desmistificar tais doenças e disseminar conhecimento, para que assim, a população possa reconhecer e tratar o transtorno. Além disso, é necessário que o Governo Federal, em parceria com as Secretarias de Saúde e de Educação,  permitam o acesso ao suporte emocional necessário aos estudantes e trabalhadores, através da disponibilização de profissionais da saúde nas equipes das instituições de ensino e empresas, para que as pessoas possam compreender a importância da saúde mental e procurar ajuda quando preciso.