Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 23/07/2020

A Revolução Industrial implantou uma nova concepção de mundo na qual o imediatismo e a busca acelerada por um ideal de vida pautado no lucro. Dessa forma, as crises de ansiedade se tornaram mais comuns e um dos grandes desafios para o combate da mesma é a naturalização do assunto em questão e o fato de ainda ser um tabu social.

Atualmente, no Brasil, a ansiedade se tornou muito recorrente no meio social, uma vez que o mesmo é marcado por desigualdades, violências e tem um histórico de corrupção, o que segundo estudos sociais são um dos principais motivos do Brasil ser o país mais ansioso do mundo. Tal fato, favorece na manutenção desse problema na sociedade contemporânea, já que a população interiorizou aquilo que era exterior a ela, o que contribui para o pensamento do filósofo Bordieu sobre  a “teoria do habitus”, que é quando de tanto uma coisa acontecer as pessoas acabam interiorizando e com isso a ansiedade passou a ser “natural”, um grande desafio implantado é desconstruir a ideia de que quem sofre do assunto abordado consegue tratá-lo sem ajuda de profissionais e que é algo que se consegue controlar

Somado a isso, de acordo com o educador Paulo Freire, a educação brasileira atual é tida como “bancária”, ou seja é a pedagogia da passividade e da repetição. Isso faz com que o problema em análise seja mantido como um tabu social, pois esse estilo educacional estimula a falta de criticidade social que não coloca em questão os temas que afligem a sociedade. Além disso, outro impecílio é a construção de um esteriótipo para as pessoas que sofrem de ansiedade, o que estimula a marginalização dessas pessoas, visto que não estão dentro do dito padrão social, junto com a auto cobrança tão presente na Era contemporânea, somada ao medo de frustação e a querer tudo para ontem, o imediatismo, acaba por projetar nas pessoas o sentimento de ansiedade e assim elas entram em um paradoxo de lutar consigo para acabar com os pensamentos ansiosos para conseguir continuar.

Faz-se necessário, portanto, o investimento por parte do ministério da educação junto com o centros educativos em um ensino que vise formar pessoas mais críticas e detentoras do problema em questão, por intermédio de palestras com especialistas no assunto que estimulem os alunos a serem sujeitos de suas ideias e a inquietude em relação ao descaso com o aumento de casos de ansiedade no Brasil, a fim de que a naturalização do tema não seja mais um desafio para mudar a realidade brasileira, e ainda a ajuda de empresas voltadas em tecnologias na construção de aplicativos com o objetivo de sanar as dúvidas e esclarecer os malefícios dessa doença não só para quem sofre mas também para a sociedade como um todo, por meio de jogos educativos e fornecimento de informações, para que o contratempo em análise não seja mais posto como um tabu social.