Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/07/2020

Conforme a Constituição Federal de 1988, a saúde é supostamente um direito de todos e é dever do Estado assegurá-la. No entanto, segundo a OMS, o Brasil é o país com maior quantidade de ansiosos no mundo, espelhando a inefetividade da garantia legal. Vê-se que os frequentes desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea são oriundos, principalmente, das exigências inconstantes do mundo moderno seguidas pela falta de debates acerca da saúde mental.Assim, contribui-se para o descontrole emocional e para a degradação da qualidade de vida dos cidadãos.

Inicialmente, é necessário salientar que os constantes avanços tecnológicos são intrínsecos ao mundo contemporâneo, onde as mudanças criam um ambiente de instabilidade, responsável por estimular um sentimento de angústia e mal-estar nos cidadãos, os quais,portanto, desenvolvem ansiedade devido à apreensão dos possíveis impactos das mudanças constantes. Na palavras do sociólogo Zygmunt Bauman, faz parte do mundo capitalista as exigências seguidas por um esvaziamento da autossuficiência humana, tendo em vista que, nos dias atuais, difunde-se a ideia de que apenas acompanhando o intenso fluxo informacional e consumindo as tecnologias mais modernas que o ser humano alcançará a completude. Todavia, os efeitos são antagônicos, haja vista que 9,3% da população tupiniquim convive com o transtorno de ansiedade existente, principalmente, devido a um descontrole emocional fomentado pela impossibilidade de atender todas as exigências de um mundo em constante transformação.

À luz do debate, é importante salientar que, somada ás exigências, a falta de diálogo acerca da saúde mental corrobora para complicar o quadro de ansiedade. Um vez que, segundo Paulo Freire, o conhecimento é libertador,ou seja, a educação emocional é necessária para que o indivíduo construa sua autossuficiência sem depender de parâmetros e validações externas, incapazes de serem controladas,  para se sentir completo e autônomo. Nesse sentindo, é  indubitável a necessidade da atuação estatal na otimização da educação emocional para melhorar a qualidade de vida da população.

Por fim, para que os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea sejam liquidados, o Estado deve intervir por meio dos devidos agentes. Inicialmente, para preparar os cidadãos  para os constantes avanços tecnológicos que são intrínsecos ao mundo contemporâneo, à exemplo do e-book  disponibilizado pela UFPE a fim de educar psicologicamente os indivíduos durante a pandemia de coronavírus, o Ministério da Cidadania junto com o Ministério da Saúde devem disponibilizar cartilhas impressas acerca da importância da manutenção da saúde mental seguida pela indicação de psicólogos gratuitos. Ademais, o MEC deve realizar palestras nas escolas sobre o tema.

A obra cinematográfica brasileira, Elis, trouxe ao cinema a vida e a carreira de uma das vozes do Brasil:Elis Regina, a qual ,por ter sido uma figura feminina influente, sofreu muita pressão do meio em que estava inserida, resultando em sua morte por overdose. Infelizmente, a frágil saúde mental dos cidadãos ainda é um problema que obstaculiza a qualidade de vida de inúmeras pessoas, tendo em vista que, segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Portanto, a fim de melhorar a perspectiva do quadro de ansiedade no país, é necessário avaliar a influência das redes sociais nesse processo seguida pela urgência de debates sobre saúde mental e inteligência emocional.