Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/07/2020

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 33% da população mundial sofre com ansiedade, sendo o Brasil o país mais ansioso do mundo. Tais dados revelam os inúmeros desafios no combate a esse mal na sociedade contemporânea. Isso porque fatores como: a velocidade das relações sociais  e o tabu ainda existente acerca desse assunto fomentam o aumento de problemas relacionados à saúde mental.

Em primeira análise, segundo o sociólogo Bauman, vivemos numa era em que as relações estão cada vez mais superficiais e instantâneas, isso cria uma “barreira” no autoconhecimento e no contato social, o qual se torna cada vez mais “líquido”. Tal fato torna-se um desafio no combate à ansiedade, visto que cuidar da saúde mental requer tempo, o que, atualmente, é difícil de conseguir, pois a população põe as demais esferas na frente do bem-estar. Dessa forma, a falta de autoconhecimento gera, segundo a OMS, crises de ansiedade cada vez mais frequentes e a rapidez com que se vive dificulta o tratamento desse problema.

Ademais, conforme o Instituto Jô Clemente, a ansiedade, sobretudo em crianças  e adolescentes, ainda é tido como tabu social. Nessa perspectiva, percebe-se que a saúde mental, de maneira geral, ainda costuma ser subentendida pela sociedade e quando abordada na infância encontra ainda mais resistência, neste caso, pelos próprios pais e educadores. Isso porque esse problema assume definições como: frescura, preguiça e até falta de reconhecimento. Tais fatores são desafios no combate à ansiedade, pois quanto mais tarde o tratamento desse problema, mais difícil de lidar, sendo imprescindível a discussão dessa problemática na sociedade.

À luz dessas constatações acerca dos desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea, portanto, cabe aos Ministérios da Educação e da Saúde em parceria com a Mídia, conscientizar a sociedade. Isso por meio de campanhas socioeducativas, ministradas por profissionais da saúde, que debatam sobre a importância de cuidar da saúde mental e como isso pode afetar todas as faixas etárias. Ademais, o Estado deve investir capital público na criação de mais Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), bem como na contratação de psicólogos. Tal atitude deve ser elaborada, sobretudo, nas comunidades mais carentes, que não tem acesso a serviços psicológicos. Visando, dessa forma, conscientizar a população e combater os quadros de ansiedade na sociedade.