Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
De acordo com o pensamento do psicanalista Freud, “nós somos feitos de carne, mas somos obrigados a viver como se fôssemos de ferro”. Nessa lógica, os indivíduos, na sociedade contemporânea, são estimulados a viver, constantemente, nos limites de sua saúde física e mental, a serviço da “engrenagem” exploradora do sistema capitalista. Desse modo, os distúrbios de ansiedade tornaram-se cada vez mais comuns, sendo as exigências do trabalho e a falta de informação os principais desafios no combate à doença.
É importante, de início, ressaltar a forte influência da pressão profissional sobre o desenvolvimento da ansiedade nos trabalhadores. Nesse sentido, segundo o sociólogo Byung-Chulran, em seu livro “A sociedade do cansaço”, não é por acaso que enfrentamos pandemias de doenças relacionadas à mente humana, visto que a associação de metas inatingíveis à condições laborais precárias é o cenário perfeito para o recrudescimento desses distúrbios nas pessoas. Nessa perspectiva, as imposições do maquinário capitalista afetam diretamente os empregados muito atarefados, uma vez que essa realidade reduz drasticamente o tempo disponível para o autocuidado deles, interferindo em suas relações pessoais.
Além disso, é fundamental entender que a ausência de informação sobre transtornos mentais é um dos fatores que intensifica a ocorrência de distúrbios de ansiedade na atualidade. Nesse pensamento, o tabu existente sobre a discussão de problemas relacionados à mente humana é um fator que ocasiona a falta de conhecimento sobre o assunto entre os indivíduos e tem como consequência, tanto a intensificação de tais doenças mentais, como a protelação de um diagnóstico, devido à demora, quando existente, da busca por ajuda médica. Dessa forma, apesar dos números alarmantes divulgados pela Organização Mundial de saúde, segundo os quais, a cada 1000 brasileiros, quase 100 sofrem com a ansiedade, muitos deles não reconhecem a doença, em detrimento de sua saúde mental.
É evidente, portanto, que a ansiedade, na sociedade contemporânea, é um problema que deve ser combatido. Para isso, urge que os ministérios responsáveis pelo trabalho e pela saúde, informem e ampliem o conhecimento dos indivíduos acerca dos distúrbios mentais. Tais ações devem ocorrer por meio de lives mensais, nas plataformas digitais, com conteúdos didáticos voltados para as relações trabalhistas e pessoais, participação de médicos, psicólogos e profissionais capacitados a elucidar os perigos da pressão do trabalho sobre as pessoas, a fim de reduzir expressivamente a quantidade de pessoas afetadas e atenuar a obrigação observada por Freud, de que temos de viver como se fôssemos de ferro.