Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 22/07/2020
O estoicismo, corrente filosófica do período helenístico, afirma que o segredo para alcançar a “ataraxia”- estado de plenitude da alma - é preocupar-se apenas com as coisas que podem ser mudadas, como os pensamentos. No entanto, a sociedade contemporânea segue uma tendência de afastar-se dessa premissa, visto que os indivíduos preocupam-se demasiadamente com questões que estão fora de seu alcance. Dessa maneira, esse comportamento torna mais numerosos os episódios de ansiedade, na população brasileira, que estão intrinsecamente associados ao uso irresponsável das redes sociais e à massificação exacerbada feita pela mídia.
Nota-se, inicialmente, que o excesso de virtualização das relações sociais dificulta o combate à ansiedade no Brasil. Isso ocorre porque a internet permite um maior acesso à vida alheia, já que grande parte dos cidadãos compartilha momentos de sua rotina nas mídias. Entretanto, tal como afirma o filósofo sul-coreano Byung Chul-Han, em seu livro “No Enxame”, apenas os aspectos positivos e invejáveis são divulgados pelos usuários, transformando a internet em um tipo de “vitrine social”. Diante disso, muitos indivíduos desenvolvem episódios de ansiedade patológica ao encarar o que é exibido nessa vitrine como um ideal a ser alcançado, ao invés de algo inatingível, pois representa apenas uma parte da vida, que na realidade, não existe dissociada das dificuldades não são publicadas.
É lúcido, também, destacar a homogeneização excessiva da população como um agravante desse desequilíbrio emocional, já que esse processo estimula a busca por um padrão que desconsidera as individualidades de cada ser humano. Em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor português José Saramago usa a metáfora da cegueira para criticar a ausência de solidariedade e empatia no mundo moderno. Nesse lógica, é possível observar uma disfunção semelhante, atualmente, em que os indivíduos não são cegos apenas em relação ao outro, mas também acerca de seus problemas individuais. Dessa forma, sem uma consciência de si, os cidadãos são expostos a uma mídia que produz conteúdos, não com o objetivo de explorar as idiossincrasias de cada um, mas sim de criar um ideal de consumo, personalidade, que quando não alcançado, gera frustração e ansiedade.
Portanto, a fim de reduzir esse distúrbio na sociedade, urge que Poder executivo ofereça um maior suporte no que se refere à saúde mental. Para isso, deve ser incluído na Lei de Diretrizes Orçamentárias, responsável em apontar as prioridades do governo, um projeto que vise construir, em cada município, centros de apoio com serviços gratuitos de psicólogos e terapeutas, para que a população possa usar as redes sociais de forma responsável, e também auxiliar os indivíduos a explorarem suas individualidades como algo benéfico ao invés de sofrerem para atingir um padrão.