Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/07/2020

A seleção com mais títulos ou o maior rio do mundo. Esses títulos revelam o protagonismo do Brasil no cenário mundial. No entanto, o primeiro lugar dado pela OMS ao país na lista de nações mais ansiosas de todo o planeta, revela a triste realidade do modelo predatório de sociedade e o menosprezo pela saúde mental como principais obstáculos no combate à ansiedade na sociedade contemporânea.

A princípio, a matriz do problema é evidenciada ao se analisar o modo de vida moderno como agente de manutenção da ansiedade social. Isso acontece no próprio modelo de sociedade contemporâneo, o qual é fundamentado sob a ótica capitalista de produção que torna intrínseco ao homem moderno a ideia de “capitalização temporal”, ao transformar o tempo numa moeda. O problema disso é que o brasileiro, cada vez mais, enxerga a si como uma “mercadoria perecível” que precisa cumprir seus objetivos antes da “expiração de sua validade”. Isso no entanto, segundo o filósofo Eduardo Marinho, coloca a sociedade numa eterna competição interna camuflada sob o viés do “vencer na vida” o que, por sua vez, cria o cenário ideal para o desenvolvimento de transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade, devido a esse estilo de vida predatório adotado.

Além disso, o problema se agrava ainda mais ao se analisar que a falta de procura por ajuda psicológica se torna um grande obstáculo no combate à ansiedade. Isso acontece devido à resistência do brasileiro aos serviços de apoio psíquico por conta do menosprezo às questões relacionadas uma vez que a exacerbação material da sociedade cria, segundo o filósofo Michael Foucalt, “corpos dóceis” que são doutrinados a reproduzirem os anseios do meio e, com isso, problemas subjetivos, intangíveis aos olhos, como os mentais, são deixados de lado. Isso se confirma no levantamento do Conselho Nacional de Psicologia, que mostra o número de brasileiros que realizam terapia ainda é aquém do ideal. Tal panorama revela que a falta de procura por ajuda psicológica dificulta o combate à ansiedade no Brasil.

Portanto, é preciso vencer o combate à ansiedade no país. Desse modo, cabe ao Estado, em parceria com a mídia,  a tarefa de oferecer o suporte necessário à manutenção da saúde mental do cidadão por meio da promoção de eventos socias de suporte psicológico que contem com profissionais da área ministrando palestras e atendendo o público para incentivar a população a procurar esse tipo de ajuda com mais frequência. Alem disso, o Estado, também, deve tornar fácil o acesso da população às terapias e, para isso, deve construir clínicas de psicologia vinculadas ao SUS com o objetivo de suprir a carência social com esse tipo de atendimento.