Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/07/2020
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o “mal do século XXI” corresponde aos distúrbios que afetam a saúde mental, dentre eles, a ansiedade. O Brasil, segundo a organização, tem o maior número de pessoas ansiosas no mundo: cerca de 19 milhões de brasileiros convivem com o transtorno. Nesse sentido, o aumento da ansiedade está relacionado a influência de um sistema econômico materialista e a ausência de políticas públicas de saúde para o enfrentamento do problema.
A princípio, o surgimento de distúrbios mentais e comportamentais, como o transtorno da ansiedade generalizada (TAG), está estritamente ligado a um sistema econômico que exige a alta performance dos cidadãos. Nesse cenário, o sociólogo Zygmunt Bauman teoriza sobre o “capitalismo parasitário” da sociedade atual, numa metáfora com os animais que se alimentam de seu hospedeiro até a exaustão. Sendo assim, tal modo de vida impõe a urgência da produtividade e, nessas circunstâncias, o ser humano passa por um processo de coisificação, perdendo a capacidade de estabelecer um vínculo interno com a saúde mental. Logo, o agravamento da ansiedade cresce em meio ao estímulo consumista e ao estabelecimento de padrões que levam ao esgotamento mental, sejam relacionados à beleza ou a um estilo de vida.
Em segundo plano, a falta de um projeto em ação no sistema público de saúde voltado para o diagnóstico e tratamento de ansiosos contribui para a perpetuação desse quadro. Segundo um relatório publicado em 2019 pela Organização Pan-Americana de Saúde, no Brasil, os investimentos atuais estão abaixo do necessário para abordar a carga dos transtornos mentais na saúde pública. Na realidade, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta a superlotação e falta de estrutura e investimento para manutenção básica do programa de saúde mental, o que resulta na dificuldade de acesso ao tratamento psicológico e medicamentoso para o tratamento de brasileiros com TAG. Desse modo, vê-se que é necessário um posicionamento das autoridades, com urgência, na resolução desse impasse, a fim de se evitar o crescimento dessa condição.
Portanto, para combater e tratar a ansiedade no Brasil, cabe ao Governo Federal, na esfera do Ministério da Saúde, destinar maiores verbas ao programa de saúde mental do SUS, por meio do atendimento aos portadores de transtornos, com ampliação de serviços médicos e de triagem psicológica, com o objetivo de facilitar o diagnóstico e acompanhamento terapêutico para o tratamento dos portadores de distúrbios mentais. Ademais, cabe às escolas abordarem o debate sobre saúde mental, promovido pelas matérias de sociologia e filosofia, acerca da realidade que propicia o surgimento desses transtornos, a fim de formar cidadão conscientes e que combatam essa tendência.