Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/07/2020
Em 2011, o filme “Amor e outras drogas”, trouxe a tona o cotidiano de um vendedor farmacêutico responsável pelo mais recente medicamento de combate à ansiedade, o Prozac; contudo, em paralelo à sua vida profissional, o personagem começa a apresentar episódios de ansiedade, contudo, não procura ajuda médica. Não distante da ficção, essa é a realidade de grande parcela da população, a qual, mesmo sendo consciente de seu diagnóstico, apresenta desafios no combate à este deviso ao tabu tanto com relação à aceitação da ansiedade, quanto com relação ao uso de medicamentos.
Em pleno século XXI, o tabu em torno do diagnóstico da ansiedade representa um grande desafio no combate à ela, pois o desprezo e olhar diferente dado a pessoas com esse diagnóstico reforça a errônea ideia de “doente” atribuída a essa parcela da população. Em relação a isso, segundo a OMS, uma parte significativa da população sofre com transtornos de ansiedade; essas pessoas totalizavam 264 milhões em 2015, sendo o Brasil o primeiro lugar com 18,6 milhões. Assim, o estigma associado a esse transtorno leva à negação da presença dos sintomas e a não procura da ajuda médica, levando ao aumento da frequência e intensidade dos episódios, assim muitas vezes prejudicando a saúde física e as relações sociais dos indivíduos.
Além desse desafio, a ansiedade também sofre tabu com relação ao uso de medicamentos, pois o preconceito com relação à ingestão desses remédios vem acompanhado pela banalização da ansieda-
de entre os jovens na sociedade contemporânea. Essa banalização é diariamente propagada, principal-
mente, por “tweets” romantizando a presença da ansiedade entre os jovens, e que ao atingirem grande repercussão e até serem divulgados em páginas do “instagram”, reforçam a ideia da naturalidade da presença desse transtorno entre os jovens, já se tornando uma característica e pré-requisito da juventude atual, dessa forma, reafirmando a não necessidade da consulta psicológica e do uso de medicamentos.
Portanto, é necessário que o Ministério da Saúde, por meio do veículo da Mídia, dissemine propagandas informativas a respeito da ansiedade, desmentindo tabus, apresentando sintomas e incentivando a procura de psicólogos para diagnóstico e tratamento efetivo. Dessa forma, a quebra de mitos auxiliará no combate a esse sentimento. Além disso, o Ministério da Saúde em conjunto com o poder executivo municipal deve investir na inserção de profissionais da mente em todos os postos de saúde do município, de forma que a partir deles, todos tenham fácil acesso à consultas de qualidade e medicamentos grátis, se prescrito pelo médico. Dessa maneira, assim como no filme, todos terão acesso a serotonina, seja pelo sentimento natural ou pela ação do remédio prescrito.