Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/07/2020
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui o maior número de pessoas ansiosas do mundo, ou seja, 13,6 milhões de brasileiros são acometidos por esse transtorno. Esse dado está relacionado à “cultura agorista” da sociedade contemporânea, que busca cumprir seus deveres com o menor tempo possível. Em paralelo a isso, o país não combate eficazmente esse distúrbio, devido à estigmatização da sociedade em relação à pessoa ansiosa e ao pouco investimento governamental em mais espaços públicos direcionados ao acompanhamento psicológico oferecido à população.
A princípio, de acordo com o filósofo Foucault, existem poderes na sociedade que disciplinam os homens, direcionando os seus comportamentos. A partir disso, percebe-se que há uma cobrança do corpo social para que as pessoas sigam um ideal de vida socialmente aceitável, como ter um alto poder aquisitivo. Assim, cada vez mais há o aumento da “maquinização humana”, já que que os indivíduos devem alcançar o modelo perfeito de viver em um curto intervalo de tempo. No entanto, esse processo, muitas vezes, acarreta o medo da decepção caso não consigam atingir o objetivo e render o esperado. Logo, isso se transforma, em muitos casos, em transtornos ligados à ansiedade, infelizmente. Além disso, a sociedade estigmatiza os indivíduos acometidos por essa patologia, pois acha que é algo apenas momentâneo relacionado a alguma situação de conquista de um objetivo, quando, na verdade, o processo para consegui-lo gerou, gradualmente, distúrbios de ansiedade. Desse modo, é necessário que a população seja efetivamente informada e orientada para combater essa doença.
Outrossim, segundo o filósofo Hobbes, na teoria do Contrato Social, o cidadão entrega sua liberdade ao Estado em troca da garantia de direitos para que tenha um bem-estar social. Dessa forma, observa-se que um dos entraves no combate à ansiedade no Brasil é a falta de mais espaços públicos, além dos hospitais e postos de saúde, direcionados prioritariamente ao acompanhamento psicológico. Esses ambientes são imprescindíveis para que mais pessoas tenham um melhor acesso, de forma facilitada, a profissionais, como psicólogos, capazes de ajudarem indivíduos com transtornos de ansiedade. Logo, devido à vida acelerada que a contemporaneidade oferece ser muito favorável a essa doença, o Estado deve assegurar, urgentemente, o acesso a esses especialistas a fim de garantir o bem-estar de todos.
Portanto, para que o número casos de ansiosos diminua no país, é necessário que o Ministério da Saúde com a mídia conscientize a população acerca da importância no combate à ansiedade, por meio de propagandas televisivas em todos os horários para alcançar mais pessoas. Ademais, o Estado deve garantir o acesso aos psicólogos a todos, pelo programa “Combate à ansiedade”, com a criação de espaços destinados a isso. Assim, o Brasil poderá vir a não ter mais o maior número de ansiosos.