Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
Estoicismo é a filosofia da coragem, porque ela diz que é preciso ter perseverança para enfrentar aquilo que não se pode controlar. Desse modo, essa escola propõe alcançar o estado de serenidade, de imperturbabilidade da alma, por meio da harmonização da razão humana e do pensamento cósmico. Diante disso, ao sair dessa doutrina filosófica e observar a realidade brasileira, percebe-se que o conjunto social atual está paulatinamente mais distante desse estado de tranquilidade, uma vez que, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. Nesse sentido, confrontar desafios, como não aceitação desse transtorno e a situação socioeconômica vivida no Brasil, são necessários para combater esse mau.
Primeiramente, compreender que a realidade socioeconômica, que os brasileiros vivem tem completa relação com essa epidemia do século XXI, é primordial. Nesse contexto, sabe-se que o Brasil vive uma situação complicada - onde índices de violência e desempregos são altos, há má funcionamento dos serviços públicos - e isso tem favorecido o desenvolvimento de diversos transtornos mentais, entre eles a ansiedade. De acordo com a Constituição de 88, todos os cidadãos tem direito a alimentação, saúde, segurança, educação, moradia e lazer. Tudo isso deve ser fornecido com qualidade, pelo Estado. Entretanto, grande parte desses direitos não saem do papel. Portanto, imerso nessa realidade limitante e instável, o cidadão brasileiro termina por desenvolver a ansiedade, que primeiramente começa como uma preocupação, mas a partir do momento que torna-se excessivo e acompanhado de sensações desagradáveis de pânico, e de comportamento nervoso configura-se como transtorno mental.
Além disso, é imprescindível que o indivíduo assuma ter ansiedade. Nessa perspectiva, tal aceitação torna-se tão importante, porque a partir dessa ação o cidadão pode procurar ajuda, afim de combater esse mau do século. Todavia, essa não é uma realidade rotineira no Brasil, visto que, nesse país a ansiedade transfigurou-se em algo banal. Segundo a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre a banalização do mal, as pessoas praticam ações que causam o mal, mas não percebem isso como algo ruim, por ser algo cultural e imposto. Esse conceito pode ser associado a essa conjuntura, a medida que, embora uma grande parte da população sofra com esses transtornos, muitos confundem isso com preocupação, e terminam por não relacionar esse problema a uma questão de saúde pública. Sendo assim, devido a vulgarização do termo ansiedade, muitas pessoas não procuram ajuda, o que dificulta o combate dessa epidemia do século XIX.
Portanto, o Estado deve garantir, que todos os direitos constitucionais sejam concedidos a população, e que todos sejam conscientizados sobre a ansiedade, por meio da fiscalização coerente, palestras educativas, com profissionais da saúde e educação, visando o combate dessa epidemia.