Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/07/2020

Em decorrência do processo de globalização, e o consequente advento tecnológico, o fluxo de informações imediatas alarmou na contemporaneidade. Entretanto, são evidentes no Brasil consequências maléficas dessa aceleração cibernética, como a ansiedade dos indivíduos. Dessa forma, a persistência do distúrbio psíquico torna explícitos os desafios encontrados no combate desse, como a ausência de investimentos públicos na saúde mental da população, bem como o preconceito existente na atualidade no que tange aos transtornos psicológicos.

A priori, de acordo com o estudo do filósofo Michel Foucault, o indivíduo é composto pelas esferas biológica, psíquica e social. Paralelo à filosofia Foucaultiana, é notório na realidade atual brasileira o aumento de membros sociais que sofrem de transtornos psíquicos, como a ansiedade. Outrossim, a  sua persistência na contemporaneidade brasileira decorre da negligência estatal no que tange ao apoio à saúde psicológica da sociedade, com nenhum ou poucos projetos que abranjam as doenças da mente como pauta. Dessa forma, tal ausência de investimento por parte do Estado gera, por conseguinte, a elevação do índice de ansiosos no território nacional que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, são cerca de 20 milhões.

Somado a isso, tendo como base a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos possuem o direito à manutenção da saúde. Contudo, é evidente na atualidade do Brasil a ausência da garantia desse direito em decorrência do preconceito ainda vigente na sociedade no que concerne às patologias psíquicas, tal como a ansiedade. Devido a isso, o indivíduo encontra dificuldades em compartilhar os seus sintomas e buscar auxílio em relação à doença, impedindo a possibilidade do diagnóstico precoce e favorecendo o agravamento e cronificação do distúrbio. Por conseguinte, contribui para o insucesso do tratamento, o que facilita a persistência do transtorno no século XXI, uma vez que, segundo a OMS, o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas que sofrem de ansiedade no mundo.

Assim, tendo em vista os desafios encontrados no combate à ansiedade na sociedade contemporânea, é necessária a intervenção do Ministério da Saúde, por meio da criação de um aplicativo compatível com todos os “smartphones”, que contará com a disponibilidade integral de psicólogos e atendimento online e gratuito para o relato de indivíduos que sofrem da patologia, objetivando extinguir a negligência estatal em relação aos distúrbios mentais. Ademais, é dever das instituições de ensino a participação na formação acadêmica e social do cidadão, com debates nos centros educacionais que tragam à tona a necessidade de diálogo sobre os sintomas dos transtornos psicológicos, a fim de atenuar o preconceito vigente na realidade atual brasileira.