Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 18/07/2020
A psiquiatra brasileira Nise da Silveira, ainda no século XX, principiou, por iniciativa própria, a inserção da arte na terapia de seus pacientes, o que ocasionou uma revolução do tratamento mental. Entretanto, a mente ainda é tratada como algo ´´secundário´´ no Brasil, o que faz com que a saúde mental não tenha a atenção e intervenção necessária. Assim, a ansiedade, distúrbio que acomete grande parte da população, tem na dinâmica da sociedade atual e na falta de assistência do Estado e do corpo social, os principais desafios para o combate dessa epidemia existente no país.
Em primeira análise, o cotidiano imediatista tem grande influência na questão da ansiedade no mundo e, consequentemente, no Brasil, país com mais ansiosos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua série de obras sobre a modernidade líquida, termo criado por ele para caracterizar a sociedade atual, a contemporaneidade é repleta de incertezas, relações humanas flexíveis e a caracterização de pessoas como ´´bens de consumo´´, podendo ser trocadas a qualquer instante. Então, diante desse contexto, a ansiedade tende a ser um problema presente na vida de cada vez mais pessoas, pois, inseridas nessas circunstâncias e com a pressão cada vez mais precoce das instituições sociais, ou seja, instituição escolar, família e mídia, para um futuro ´´padrão´´, com família e profissão, a ansiedade se torna a realidade de muitos.
Em segunda análise, o Estado e a sociedade não tem a preocupação necessária com a saúde mental, dessa maneira, a população sofre com a falta de assistência, o que leva a um quadro mental cada vez mais preocupante. De acordo com o pensamento cotidiano, o corpo precisa de cuidado, para assim, ser uma pessoa saudável. Embora a condição saudável do indivíduo dependa da associação corpo e mente, o estímulo governamental através de academias e ensino gratuito por intermédio de professores em locais públicos é realidade em cada vez mais cidades ao redor do mundo, enquanto o apoio psicológico ainda se restringe àqueles que possuem condição financeira para arcar com os custos, contribuindo, dessa maneira, para a elitização do acompanhamento psicológico.
Nesse sentido, para a reversão desse quadro, urge a ação dos países membros da Organização das Nações Unidas, através da Organização Mundial da Saúde, para o desenvolvimento de uma política de reversão da ansiedade, através de um plano a ser aplicado em todo o globo, o qual incluiria a saúde mental como matéria estudantil, reunião com os pais nas instituições escolares, a criação de núcleos de apoio mental e o diálogo sobre o assunto com profissionais da área em mídias sociais, tendo como objetivo a redução dos casos de ansiedade na contemporaneidade, influenciando, de forma benéfica, milhões de pessoas ao redor do mundo.