Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/07/2020
A sociedade contemporânea goza de avanços tecnológicos, médicos, científicos que são resultados de anos de desenvolvimento, no entanto ela não está isenta de mazelas, pois conforme o conceito de modernidade líquida do filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, atualmente as pessoas estão imersas num mundo problemático e imediatista. Nesse contexto, dentre inúmeros problemas há destaque para a ansiedade, que se torna cada vez mais recorrente no Brasil, e a ignorância popular em relação ao transtorno, bem como o cotidiano opressivo são enormes desafios ao seu combate.
A princípio, a falta de conhecimento dos cidadãos sobre a ansiedade dá margem para o surgimento de pensamentos equivocados e até mesmo preconceituosos na sociedade, como a errônea ideia de que os remédios para esse transtorno são mais viciantes que os demais, desse modo dificultam o tratamento e põem o Brasil como o país mais ansioso do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Somado a isso, o preconceito com essa condição pode impelir as pessoas a se inconformarem ao serem diagnosticadas e entrarem em um estado de negação, como ocorria com vítimas de lepra e tuberculose nos séculos passados.
Ademais, o dia a dia turbulento e imediatista também é considerado um obstáculo no combate à ansiedade, pois ele é a força motriz de muitos casos e intensificador de outros tantos. Segundo estudo do site MindMiners, a violência, a crise econômica, a corrupção e a má qualidade dos serviços públicos são os principais fatores que exercem pressão na mente dos brasileiros e comprometem sua saúde. Desse modo, é evidente que o cotidiano preocupante também coopera com o ambiente do indivíduo para torná-lo ansioso.
Finalmente, diante dos desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea é imperativo que agentes sociais influentes, como a OMS e os Estados Nacionais, promovam campanhas publicitárias esclarecedoras sobre essa condição e seu tratamento em múltiplas plataformas midiáticas e fomentem palestras públicas com profissionais da área com o intuito de acabar com concepções equivocadas sobre o assunto na população. Além disso, é responsabilidade dos governos, por meio dos diversos ministérios, melhorem a qualidade de vida de seu povo ao investir em segurança e serviços públicos, por exemplo, para que os impactos da modernidade líquida, pensada por Bauman, sejam atenuados.