Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
No clássico programa de televisão humorístico “Chaves”, o protagonista reage de maneira incomum quando diante de situações de conflito: em diversas vezes, é acometido por uma inércia, em que se torna incapaz de se mover, experienciando um forte nervosismo - o qual é chamado, genericamente, de “piripaque” na série. Fora das telas e do universo do humor, fica claro que tal resposta constitui, na verdade, um quadro ansioso. Nesse sentido, a falta de uma visão holística sobre o ser humano e o próprio estigma em relação à doença configuram-se como desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea.
Antes de tudo, é fundamental compreender que o homem é um ser “biopsicossocial”, de acordo com o filósofo francês Michel Foucault. Nesse contexto, como um reflexo da automatização e do cientificismo da Revolução Industrial, o olhar sobre o humano foi reduzido a um mero aparato biológico. Essa perspectiva diverge do pensamento de Foucault, pois desconsidera os aspectos psicológicos e sociais humanos, indissociáveis à sua essência. Desse modo, a falta de uma visão holística sobre os indivíduos, que, para além dos seus níveis de colesterol, integre tanto a sua necessidade de manter relações saudáveis uns com os outros e a sua imensidão psicológica, traz consequências sérias para a sua saúde, como o transtorno de ansiedade.