Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2020
De acordo com o sociólogo Michel Foucault, o indivíduo é a construção da relação bio, psico e social. Nessa lógica do sociólogo, é possível observar que, na sociedade atual, as pessoas tendem a apresentar crises de ansiedade frequentemente, uma vez que os problemas do meio, como pressões psicológicas, influenciam na preservação a saúde mental. Nesse viés, compreende-se que o uso excessivo de medicamentos e as dificuldades do convívio social são alguns dos fatores que estimulam os transtornos psicológicos e dificultam o combate à ansiedade contemporânea.
Inicialmente, é importante entender que a utilização abusiva e constante de remédios pode favorecer o agravamento das crises de ansiedade, visto que o imediatismo de querer combater os transtornos instiga, na maioria dos casos, as pessoas usarem, excessivamente, medicamentos. Diante disso, é válido pontuar que o direito à saúde pública de qualidade, previsto no artigo 6° da Constituição Federal como direito social, não tem sido assegurado na prática, já que os transtornos de ansiedade são problemas de saúde pública e é dever do Estado agir no combate dessa problemática. Dessa forma, verifica-se a necessidade da presença ativa de profissionais na sociedade, posto que o uso desenfreado de medicamentos pode intensificar a gravidade da ansiedade.
Outrossim, é preciso mencionar que o ambiente escolar pode, muitas vezes, desencadear e intensificar a ansiedade em crianças e adolescentes, uma vez que conflitos familiares, bullying e as pressões psicológicas sofridas por indivíduos dessa faixa etária provocam os transtornos. Visto isso, vale pontuar os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde, OMS, cerca de 18 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade na sociedade brasileira, ou seja, com esse número alarmante de casos de ansiedade, nota-se a necessidade de cuidados com as crianças e adolescentes para não piorar a ocorrência de transtornos no Brasil e minimizar o agravamento da ansiedade nas pessoas que já apresentam crises. Desse modo, percebe-se a importância da presença familiar e da escola no acompanhamento do aluno.
Assim, fica evidente que são necessárias algumas medidas para combater a ansiedade na sociedade contemporânea. Portanto, cabe ao Estado assegurar, na prática, o direito a saúde pública de qualidade a todos os cidadãos, por meio da disponibilidade de psicólogos e psiquiatras em postos de saúde e hospitais públicos, a fim de proporcionar o acompanhamento com profissionais à comunidade. Além disso, é necessário que a escola, juntamente com a família, oriente os alunos a respeito da ansiedade e seus malefícios, por meio de conversas da família com a criança ou adolescente e acompanhamento psicológico, a fim de minimizar os casos de ansiedade nessa faixa etária.