Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/07/2020

A Segunda Geração do Romantismo ou ‘‘mal do século’’ como ficou conhecida pela abordagem da situação da sociedade na época, como pessimismo, insatisfação e morte. De maneira análoga à literatura, o país ultrapassa por um novo mal do século XXI: o aumento da ansiedade entre os brasileiros. Com isso, é necessário debater sobre os impasses no combate de tal, como exemplo as redes sociais e o tabu persistente sobre o assunto.

A priori, de acordo com o dado da OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o país com maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo. Isto está diretamente ligado ao uso das redes sociais, que age tanto como catalisadora ao intensificar o efeito, quanto como empecilho na solução do problema. Assim, ao buscar exibir uma vida perfeita nos aplicativos, a sociedade torna-se marionete da tecnologia, sendo alvo de cobranças no intuito de mostrar apenas o lado positivo no dia a dia. Dessa forma, ao não se encaixar no padrão estabelecido pela internet, os indivíduos sentem-se reprimidos e excluídos socialmente, desenvolvendo posteriormente as crises de ansiedade.

Em uma segunda análise, baseado no princípio de banalização do mal de Hannah Arendt, ou seja, a naturalização em torno da ansiedade na sociedade brasileira que é vista como ‘‘frescura’’, reflete o tabu tão presente no discurso. Outrossim, segundo pesquisa do instituto Market Analysis, 87% dos adultos no Brasil não fazem ou nunca recorreram a uma terapia, quer dizer, por não ter conhecimento sobre tal ou ainda na visão que psicólogo é ‘‘coisa pra louco’’, essas pessoas não procuram o tratamento adequado. Logo, o tabu aliado a normalidade e direcionado a quem sofre de ansiedade, funciona como um entrave na garantia do bem-estar geral.

Portanto, é válido que o Ministério da Saúde em parceria com a mídia socialmente engajada, por ter um amplo alcance e alta influência, disponibilize de um programa em horário nobre na TV que conte com debates sobre a importância e o auxílio essencial de psicólogos no combate à ansiedade, tendo principalmente participação do público alvo - jovens - que compartilhem suas experiências com relação as redes sociais e o quanto pode ser prejudicial se o uso for feito de maneira inadequada. Para que assim, com os conhecimentos necessários e o rompimento do tabu, a sociedade futura não seja responsável por outra onda de mal do século.