Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/07/2020

No filme da Netflix “Por Lugares Incríveis”, o protagonista da obra, Finch, tem seu comportamento imprevisível levado a extremos, com alterações de humor, sumiços devido à raiva e à tristeza constante. Contudo, o garoto tem vergonha de admitir seus problemas e, por isso, se nega a aceitar ajuda. Fora dos tablados da ficção, os brasileiros, na sociedade contemporânea, sofrem da mesma situação do personagem, pois mesmo que obtenham transtornos psicológicos, como ansiedade, negam auxílio e minimizam a problemática, o que corrobora os desafios no combate. Dessa forma, faz-se necessário analisar os principais empecilhos,como a negligência do tratamento e a insuficiência estatal.

A priori, é cabível enfatizar como a significativa negligência dos brasileiros com a importância do tratamento da ansiedade colabora para os permanência dos entraves. Isso porque, com a negação da ajuda devida para a desmistificação do transtorno psicológico, pode haver a maximização dos sintomas que interferem na saúde mental e na vida cotidiana do indivíduo. Desse modo, vale salientar o pensamento do filósofo Michael Foucault, o homem é um organismo biopsicossocial que deve estar em equilíbrio. A partir disso, entende-se que, ao passo que este homem é negligente com o auxílio de especialistas, ele aflige negativamente a sua saúde integral, ou seja, isso desequilibra-o, o que contrapõe o estudo de Foucault. Então, é fundamental que medidas de combate, como a consciencialização,sejam idealizadas pelo Estado, para aniquilar os desafios relacionados à ansiedade.

Outrossim, é imperativo pontuar como a insuficiência do governo brasileiro no que tange à democratização do acesso à terapia, para intervenção dos impasses relacionados à ansiedade, fomenta os desafios no combate a esse transtorno no Brasil. Isso ainda é realidade devido ao pouco incentivo do Estado com a saúde mental e, principalmente, com o pouco investimento em pesquisas e disponibilização de profissionais capacitados para a demanda de pacientes. Visto isso, é importante lembrar que, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), em países de renda média e baixa, como o Brasil, os gastos governamentais com saúde mental são inferiores a 1 dólar per capita e o número de trabalhadores na área é considerado insuficiente: dois profissionais por cada 100 mil habitantes. Fica claro, assim, a ineficiência do Estado contra a persistência da ansiedade no país.

Depreende-se, portanto, a necessidade de políticas de combate aos desafios relacionados ao transtorno de ansiedade persistente em solo brasileiro. Primeiramente, cabe ao Estado disponibilizar psicólogos em todos os postos de saúde, por intermédio do Ministério da Saúde, e, também, em parceria com o Ministério da Educação, deve promover palestras nas escolas do Brasil, que abordem a respeito da ansiedade e a importância do seu tratamento, para que haja conscientização dos ouvintes.