Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/07/2020
No auge da sua fama, o cantor e compositor Renato Russo denunciava, por meio de suas músicas, a sua condição psicológica: transtorno de personalidade limítrofe e depressão. A juventude nesse período apresentava sintomas semelhantes, configurados nas mais diversas patologias, e desse modo, sua produção artística serviu como meio de conscientização a respeito da importância da saúde mental. Na contemporaneidade, houve um aumento na incidência dos transtornos de ansiedade, como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e Estresse Pós-Traumático. Entretanto, é perceptível que o seu combate em âmbito nacional é dificultado principalmente pela banalização do tema e a não-aceitação do tratamento.
É primordial ressaltar que os preconceitos ocasionados pela falta de informação são o principal motivo pelas quais as doenças psíquicas são negligenciadas. No livro “Por Lugares Incríveis”, o protagonista apresenta desde a infância episódios de isolamento, reclusão e hiperatividade típicos da ansiedade, denominados pela comunidade em que vive como uma “aberração”. De forma análoga, a sociedade brasileira nutre discursos estereotipados a respeito das pessoas acometidas por transtornos de personalidade, fazendo com que elas sejam invisibilizadas e excluídas socialmente. Desse modo, as instituições familiares e educacionais demonstram uma falha ao não reconhecerem a importância de abordar o tema com informações sérias e educativas.
Em segundo plano, é preciso refletir acerca das dificuldades presentes no diagnóstico e tratamento da ansiedade. Na série “One Day at a Time”, a personagem Penelope é diagnosticada, e apesar das suas crises e preocupação exacerbada, ela se nega a dar continuidade ao tratamento. Fora da ficção, uma parcela dos brasileiros que sofrem de tal doença aproximadamente 10%, segundo a Organização Mundial da Saúde apresenta relutância em realizar a terapia adequada, por meio de acompanhamento psicológico e administração de medicamentos, ainda que seja necessário meses de análise para o diagnóstico confirmado. Tal fato ocorre devido aos mitos difundidos durante décadas acerca dos efeitos colaterais dos remédios, como o vício, e a associação à loucura. Dessa forma, muitas pessoas optam por não se tratarem por medo dos efeitos no organismo e para preservar o status social.
Diante dos fatos mencionados, e os desafios no combate à ansiedade, é preciso estabelecer uma consciência coletiva. O Ministério da Saúde deve investir, com verbas governamentais, em campanhas publicitárias que expliquem o transtorno e a importância do seu tratamento, por meio da veiculação de propagandas nos canais comunicativos, com relatos de profissionais da área, objetivando desmistificar os preconceitos presentes na sociedade e o medo individual. Desse modo, os casos serão mitigados.