Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 18/07/2020
Distúrbios psicológicos são constantemente vistos como um tabu pela sociedade brasileira. Assim, a forma de se ver essas doenças e de como tratá-las começou a ser alterada por Nise da Silveira que trouxe mais humanidade para o tratamento da taxada “loucura”. Entretanto, nota-se que, não obstante os avanços, ainda existe desafios no combate a enfermidades como a ansiedade na sociedade contemporânea. Esses empecilhos são a necessidade de exacerbada produtividade humana e os mitos existentes sobre a ansiedade em geral.
Cabe analisar, inicialmente, que um desafio no combate à ansiedade na sociedade contemporânea é a urgência de produtividade. Isso porque, com o surgimentodo capitalismo, o tempo passou a significar dinheiro, já que quanto mais se produz se pressupõe que o retorno financeiro também será maior. No entanto, de acordo com Byung-Chu Han, esse regime de autoexproração não transforma o explorado em rvolucionário, mas em depressivo, isto é, apesar desse sistema incutir a ideia de recompensa ele também é fonte de diversos distúrbios psicológicos. Esse quadro pode ser comprovado pelos dados da OMS no qual expõem que o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo, ou seja, o modo de produção atual beneficia a economia, mas prejudica o bem-estar dos trabalhadores.
Além disso, os mitos existentes sobre a ansiedade também são um desafio para combatê-la na sociedade contemporânea. Tal fato ocorre, pois problemas na psique humana por serem mais complexos e menos evidentes são tratados como menos importântes e urgentes. Esse preconceito social, segundo Lonardo Sakamoto, vigora devido à terceirização da interpretação da realidade, ou seja, núcleos de influência, como religiosos, políticos e familiares, são responsáveis pela formação de uma mentalidade omissora em um indivíduo. Contudo, esse determinismo não é uma lei e pode ser alterado a depender das outras influências externas ao ser humano, como a escola e a mídia. Essa mudança é fundamental para combater a ansiedade no País.
Diante disso, é preciso que o Ministério da Saúde conscientize a sociedade brasileira sobre o que a ansiedade representa e é na realidade. Isso por meio de campanhas publicitárias, por intermédio de plataformas midiáticas como a TV, que explorem e comparem a imagem que a população terceriza sobre aqueles que sofrem com distúrbios de ansiedade e como é na realidade, frisando no decorrer as causas, consequências e possíveis tratamentos dessa doença. Desse modo, não se almejará a exacerbada produtividade, que tem por custo a saúde mental dos trabalhadores, e se desconstruirá os mitos sobre a enfermidade. Assim, acabarão os desafios no combate a ansiedade na contemporaneidade e o que foi preconizado pela psiquiatra precitada terá continuidade.