Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2020
O “homem-aranha”,um herói das histórias em quadrinhos,tem a capacidade de perceber a aproximação do perigo. No entanto,diferentemente da ficção,em que essa habilidade auxilia na luta contra vilões,essa sensação de insegurança representa um desafio para milhares de pessoas que enfrentam a ansiedade. Dessa maneira,é importante destacar a marginalização desse transtorno pela sociedade,com a persistência do preconceito,além da pressão social como entraves no combate a esse problema.
Primeiramente,é necessário destacar que as doenças relacionadas à saúde mental ainda são vistas com desconfiança pela população,fato esse que intensifica a negligência quanto a seus tratamentos. Esse contexto está associado ao conceito de “Modernidade líquida”,do sociólogo Bauman. De acordo com esse especialista,a fragilidade das relações sociais caracteriza a atual realidade individualista. Sob essa perspectiva,a disseminação de uma “sociedade de aparências” pelas redes sociais estabelecem padrões de comportamento que se sobrepõem ao bem-estar dos indivíduos. Nesse viés,observa-se que essa visão ilusória ignora a existência da ansiedade e seus impactos nos sujeitos,além de difundir o preconceito mediante a divulgação de estereótipos relativos aos distúrbios mentais. Dessa forma,essa indiferença propaga o medo e dificulta o diagnóstico e a busca por ajuda profissional.
Ademais,é válido citar que a intensa pressão social representa outro importante desafio no combate à ansiedade. Tal fato exemplifica as ideias do filósofo Foucault,segundo o qual o homem é uma construção biológica,psicológica e social,em que a convergência de todos esses fatores interfere na formação humana. À vista disso,percebe-se que o estilo de vida da sociedade contemporânea vai de encontro ao que esse pensador apontou como essencial,uma vez que a supervalorização da felicidade,da produtividade e do sucesso impõe metas aos sujeitos que,para alcançá-las,suprimem seus medos e angústias. Nesse sentido,essas exigências provocam sensações de instabilidade e insegurança quanto ao futuro que,sem a orientação e o auxílio adequados,dificultam o saudável desenvolvimento mental dos indivíduos.
Logo,para combater a ansiedade,o Estado deve buscar minimizar o preconceito. Isso pode ser feito por meio do uso das redes sociais,com a divulgação de cartilhas informativas que,além de desmistificar esse distúrbio,também informem as dificuldades e importância do auxílio médico,a fim de diminuir a negligência social. Ademais,as instituições educacionais podem oferecer orientação adequada mediante a realização de projetos com estudantes de psicologia que organizem grupos de apoio em escolas,empresas e em sites virtuais,visando diminuir a insegurança quanto às pressões sociais.