Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2020
Segundo o psiquiatra Sigmund Freud, “somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro”, ou seja, a população sofre para se adaptar ao contexto vertiginoso, competitivo e individualista da contemporaneidade. Nesse viés, a ansiedade é uma das principais doenças mentais geradas por esse cenário e ela deve ser combatida. Diante disso, é fundamental analisar os principais desafios que impedem a supressão desse problema: a psicofobia e o tolhimento dos direitos.
Em uma primeira abordagem, deve-se dizer que a teoria do “habitus”, do sociólogo Pierre Bourdieu, mostra que o Homem sofre com o processo de “interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade”, ou seja, o agente absorve características do meio social e, posteriormente, as expõe. Dessa maneira, no Brasil contemporâneo, diversos indivíduos demonstram a psicofobia, preconceito contra os doentes mentais, de forma naturalizada no cotidiano. Nesse contexto, a ansiedade, uma das principais doenças mentais da atualidade, é considerada, muitas vezes, uma frescura diante uma sociedade que perpetua esse preconceito. Nesse cenário, diversos cidadãos que sofrem com essa doença não procuram especialistas para tratar a ansiedade, com o intuito de esconder esse problema, aparentando a normalidade, e, consequentemente, não serem vítimas do preconceito presente no país.
Em uma segunda análise, deve-se falar que, conforme a Constituição de 1988, é dever do Estado garantir a Saúde a todos os cidadãos. Contudo, no Brasil atual, diversos indivíduos que sofrem com a ansiedade, não têm acesso a psicólogos, a terapeutas e a psiquiatras capacitados. Nesse sentido, essas pessoas não possuem condições imprescindíveis para realizar o tratamento desse transtorno psicológico devido, sobretudo, à falta de investimento governamental na área de cuidados específicos em saúde mental. Dessa maneira, o governo vira uma “Instituição Zumbi”, conceito que, segundo o sociólogo Zygmund Bauman, representa uma entidade que não cumpre sua função social, pois ele sai de seu papel constitucional para ser o tolhedor dos diretos à saúde dos cidadãos.
Portanto, a ansiedade é um problema que deve ser suprimido. Assim, é necessário que a Escola impeça a perpetuação da psicofobia, por intermédio de aulas mensais, desde a Educação Infantil, as quais serão transmitidas nas redes sociais, informando sobre as doenças mentais e as consequências desse preconceito, para que os indivíduos que sofrem com a ansiedade não tenham receio de procurar tratamentos. Além disso, o Ministério da Saúde deve proporcionar condições imprescindíveis para tratar esse transtorno, por meio do investimento de 15% do orçamento dado à Saúde na área de cuidados com a saúde mental, com o intuito de garantir os direitos dos cidadãos. Dessa forma, a ansiedade poderá ser combatida, mesmo em um mundo vertiginoso, competitivo e individualista.