Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
De acordo com informações divulgadas pela Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o país que ocupa o topo no “ranking” de pessoas com ansiedade por nação. Esse dado é extremamente preocupante, pois revela a presença e alta incidência de um distúrbio tão delicado em uma população, problema esse que se agrava pela existência do tabu e, também, pela negligência governamental.
Em primeira análise, para a filósofa alemã Hannan Arendt, a sociedade se habituou com a banalização do mal, e, infelizmente, quando se trata em falar sobre ansiedade nas conversas sociais, as pessoas banalizam sua importância e relevância, o que dificulta ainda mais seu possível combate. Nesse sentido, vale salientar que o tabu existente nas diversas regiões brasileiras se dá pelo “jeitinho brasileiro”, o qual ignora problemas sociais pela ideia de que debater sobre assuntos, para alguns, delicados irá atraí-los para suas vidas. Todavia, o fato de deixarem de lado e não buscarem introduzir temáticas como essa nas conversas rotineiras, até como forma de tentar mostrar suporte para ajudar os ansiosos, aumenta ainda mais os riscos de incidência dessa problemática na população.
Em segunda análise, segundo o filósofo Michel Foucault, o ser humano tem como base o modelo Biopsicossocial, ou seja, para que haja um bom desenvolvimento do indivíduo é necessário que as esferas Biológica, Psicológica e Social estejam em equilíbrio. Todavia, com base no significado da palavra ansiedade, que pelo Dicionário da Língua Portuguesa tem por definição a existência de desconforto físico e psíquico; medo; aflição, entre outros, é possível associar fatores da sua incidência relacionados a negligências governamentais. Essa associação se dá pelo descaso existente por parte do governo nas questões sociais, como segurança pública contra violências e assaltos, a precária situação dos sistemas de transporte público e saúde, dentre outros. Em outras palavras, a existência da má gestão do governo pode ser causa desse incômodo psíquico para o povo brasileiro, pois a sensação de desamparo e insegurança é possível fator de medo e, por consequência, ansiedade.
Portanto, sobre os desafios no combate à ansiedade na sociedade, é necessário que os centros educacionais, junto às famílias brasileiras, busquem quebrar o tabu existente a seu respeito. Isso deve ser feito mediante reuniões familiares que abordem com clareza a importância do debate rotineiro e da busca de ajuda profissional, além de aulas e trabalhos que auxiliem os alunos, desde cedo, a desconstruírem o medo de falar sobre ansiedade. Outrossim, é importante que o governo busque dar maior apoio e melhorar a qualidade de vida da população, por meio do uso correto da verba destinada a questões e sistemas públicos, também um maior investimento em projetos e campanhas no combate à ansiedade. Dessa forma, que tudo se concretize afim de manter o equilíbrio proposto por Foucault.