Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2020
A Constituição Cidadã de 1998 garante a todo brasileiro o direito à vida de qualidade, tendo como principal pilar o direito de acesso à saúde. Dessa forma, o Estado é responsável pelo bem-estar mental de qualquer cidadão, tendo em vista que se deve assegurar tal direito. Todavia, a ansiedade é um transtorno mental que assola grande parte da sociedade, principalmente a faixa etária juvenil e, os desafios que dificultam o combate de tal doença pautam-se tanto no tabu sociofamiliar, quanto na urgência de produtividade na qual a atualidade está imersa.
A priori, apesar de já existir debates sobre doenças que se projetam na mente humana, ainda é um discurso desigual e, que por vezes, ocorre apenas em classes médias e alta, sendo também visto como pauta desnecessária. Sendo assim, segundo o filósofo contemporâneo Michel Foucalt, o indivíduo é um ser “biopsicossocial” que deve ter esses três fatores - físico, psicológico e social - realizados em harmonia para que se tenha um desenvolvimento saudável. Nessa lógica, tem como se observar que a saúde mental do homem está diretamente ligada ao processo de socialização, sendo o meio de maior importância o familiar. Dessa forma, como muitas famílias ainda tratam a ansiedade como um tabu, vendo-a como uma doença que não existe ou como frescura, torna-se difícil o tratamento e o combate.
Em segunda análise, ir contra a ansiedade na atualidade é um caminho difícil devido ao processo de “coisificação do ser”, na qual a sociedade baseou-se que o homem só possui importância devido aos bens materiais. De acordo com a escritora Maria Rita Kehl, os transtornos mentais são gerados pela urgência de produtividade imposta aos homens, principalmente os jovens. Assim, as pessoas vivem em busca de padrões sociais de vida inalcançáveis e a cobrança excessiva de produzir para consumir de forma acelerada tem como consequência a ansiedade. Logo, tal mentalidade é imposta e repetida em um ciclo, na qual só é valorizado aquilo que se possui, o que acarreta em pessoas frustradas por não se encaixarem em “ideais perfeitos”, que adquirem ansiedade e baixa autoestima.
Em vista disso, para reduzir tais desafios no combate à ansiedade, cabe ao Ministério da Saúde, ligado as mídias sociais, produzir conteúdos como propagandas e vídeos, sendo reproduzidos tanto na televisão em horário acessível à população, quanto nas redes de interação, visando a disseminação dos sintomas de tal doença e de como se deve tratá-la com profissionais capacitados, incentivando os familiares e a sociedade de como lidar com tal doença e apoiar quem a possui. Somado a isso, ONGs voltadas a doenças mentais devem, por meio de palestras e debates em escolas, públicas ou privadas, falar sobre a importância de cuidar da saúde mental no meio do mundo acelerado na qual se vive, a fim de promover qualidade de vida à geração que lida com a urgência da produtividade.