Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil possui a população mais ansiosa do mundo. Há, porém, vários fatores que desafiam a reversibilidade dessa realidade na sociedade contemporânea. Nesse contexto, torna-se urgente discutir o preocupante reflexo das pressões sociais do século 21, juntamente com a medicalização da vida no cenário brasileiro.
De início, cabe analisar que o médico Zigmound Freud, em sua obra “O Mal-Estar das Civilizações”, destila que a sociedade é sustentada por cobranças que a causar descontentamento pessoal e desencadear desequilíbrios emocionais e mentais, como a ansiedadee“ . Tal fundamento revela a realidade contemporânea brasileira, cercada de pressões que exigem a perfeição não só no ambiente de trabalho e escolar, como também nos nichos tecnológicos: as redes sociais. Estas, distorcem realidades e praticamente exigem um comportamento padrão de beleza e consumo ditando valores. Caso o indivíduo não se adeque a tais exigências, há o temido cancelamento. Logo, a sociedade vive com a urgente necessidade de sentir-se pertencente ao modelo imposto, ocasionando uma ansiedade na busca incansável pela aceitação e perfeição.
De início,é necessário entender o conceito de “Corpo Dócil” , do pensador Michel Foucalt, o qual relata que corpos frágeis são domestificados através de técnicas sutis de dominação. De maneira análoga à tal conceito, inúmeras pessoas tem seus corpos docializados por remédios ansiolíticos, quando os problemas poderiam ser resolvidos a partir de outros métodos menos agressivos como psicólogo, ioga, esportes e contato com a natureza. Diante disso, pessoas com distúrbios leves de ansiedade são instruídos fazerem o uso de drogas médicas que podem gerar a dependência, inércia mental, e outros efeitos colaterais. Assim, não há um tratamento personalizado, e a urgência por diagnósticos desumaniza o ser, o transformando apenas em uma doença que precisa ser “resolvida” urgentemente.
Diante dos fatos supracitados, é notório que o Brasil precisa direcionar mais atenção ao combate da ansiedade no país. Urge, portanto, que o MEC conscientize a população sobre a importância do equilíbrio e bem estar, por meio de palestras com especialistas em esferas educacionais, as quais abordem os perigos das pressões sociais e da busca pela perfeição exigida na web, a fim de informar a sociedade sobre os distúrbios que podem ser causados . Ademais, cabe também ao Ministério da Saúde a elaboração de congressos de medicina que estimulem a prescrição de remédios ansiolíticos em casos realmente necessários, procurando instruir o paciente a curar a doença por métodos alternativos, com o intuito de mitigar a doença.